sábado, 1 de outubro de 2011

dEUS - Keep You Close

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Música com d Maiúsculo.

Cada álbum de dEUS é uma oportunidade renovada para apreciar o raro sentido poético – e estético – de Tom Barman. Na introdução da faixa-título, com que arranca o álbum, orquestrações antecedem a sua voz, que cantará o jogo de espelhos que são as relações amorosas, temática recuperada em “The End of Romance”. Pressente-se um isqueiro a acender entre os acordes da guitarra e a bateria suave, que servem de leito ao registo spoken word. Enquanto o belga sussurra a promessa dum mundo seguro, o piano vai deixando pingar notas, soltas como as pontas de um romance que finda. Mas nada disto é real ou pacífico. Há nostalgia e amargura no ar.
No sexto longa-duração de dEUS cabem, também, composições mais directas e eléctricas, como “The Final Blast” – carregada de ritmo(s), na cadência da voz e da bateria – ou “Dark Sets In”, em que se manifesta a costela mais rock da banda, pairando um certo negrume, com sintonia entre a música e as palavras. Tal como sucede na dionisíaca “Ghosts”, em que o teclado orelhudo (que se desvanece por momentos, para dar destaque ao vocalista) acompanha uma perseguição existencialista 
Do conjunto de nove faixas, o que sobressai, novamente, é a belíssima estrutura das canções. Pode ter sido a primeira vez que, com a actual formação, o processo de composição foi desenvolvido em conjunto, mas o toque de Barman continua bem vincado em temas como “Second Nature”, que se desenvolve entre prazer, vícios, coros e uma crescente intensidade sonora e emocional. Elementos transversais a Keep You Close.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

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