quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Entrevista Clockwork Boys

Músicas rápidas e certeiras como um caldo na veia
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Os Clockwork Boys têm no carisma algo que os distingue de boa parte das bandas punk actuais. Hinos como “Casino”, “Chalana” ou “Hooligans na Noite” ajudaram a criar uma certa reputação e mística nos meios underground, que consolidaram com o recente lançamento de A Dor Passa… o Ódio Fica!, disco onde se nota uma produção mais apurada e um espírito mais revoltado com a realidade envolvente. Nesta entrevista fala-se do percurso da banda (e dos três elementos com quem conversámos: o frontman Marion Cobretti e os baterista e guitarrista Tony Musgueira e Zé Abutre) e de vida malvada, seja vivida ou cantada. Mas também se abordam outras artes bem presentes na música que fazem, como são os casos do futebol (embora já não haja jogadores com amor à camisola) e do cinema, que não só é uma forte influência como faz parte da mecânica diária de alguns destes rapazes.
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Link para a entrevista integral, publicada originalmente no Bodyspace.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Tops Individuais Discos 2012 - Bodyspace

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  1. Neneh Cherry & The Thing – The Cherry Thing
  2. Black Bombaim – Titans
  3. Diabo Na Cruz – Roque Popular
  4. B Fachada – Criôlo
  5. Cody ChesnuTT – Landing on a Hundred
  6. Godspeed You! Black Emperor – Allelujah! Don't Bend! Ascend!
  7. Propagandhi - Failed States
  8. The Men – Open Your Heart
  9. Pega Monstro - Pega Monstro
  10. Mark Lanegan – Blues Funeral
  11. Van Dyke Parks – Discover America
  12. Tame Impala – Lonerism
  13. Gala Drop & Ben Chasny– Broda
  14. Norberto Lobo – Mel Azul
  15. Frank Ocean - Channel Orange
  16. Death Grips - The Money Store
  17. Bobby Womack - The Bravest Man In The Universe
  18. Orelha Negra - Orelha Negra
  19. Cat Power – Sun
  20. Animal Collective – Centipede Hz
  21. Flying Lotus – Until the Quiet Comes
  22. DJ Ride – Life in Loops
  23. Leonard Cohen - Old Ideas
  24. Converge – All We Love We Leave Behind
  25. Bro-X – Beyonce
  26. Clockwork Boys – A Dor Passa… o Ódio Fica
  27. Jack White - Blunderbuss
  28. Bruce Springsteen: Wrecking Ball
  29. Deftones - Koi No Yokan
  30. Neil Young & Crazy Horse - Psychedelic Pill
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Link para o artigo colectivo, publicado originalmente no Bodyspace.

Lançamento "Durante o Fim" na Vert


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O nosso colaborador e amigo, Hugo Rocha Pereira, acaba de lançar o seu segundo romance intitulado "Durante o Fim".

Nele, através de histórias e acontecimentos, a Ericeira ganha especial destaque e relevo. Sem dúvida, esta é uma boa oportunidade para adquirir ou apostar num presente de Natal que diferente.

Segundo o autor, o livro só irá chegar à generalidade das livrarias em janeiro, mas até lá já é possível comprar em alguns spots da Ericeira, como a livraria Ao Pé das Letras, Taberna Lebre, Sunset Bamboo Bar e Vira-Latas.

Em último caso, basta contatar o Hugo através do Facebook. 

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 Link para a notícia, publicada originalmente no site da Vert.

Apresentação "Durante o Fim" no Ericeira Online

Um romance cheio de maresia e amizade

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O livro “Durante o fim” transportou além do enredo, todo o clima da Ericeira, e sobretudo a alma e a amizade que emana dos Jagozes. É algo que quem chega a esta vila, a pouco e pouco, conquista, bebendo a água da Fonte do Cabo, e ganhando o direito a ter uma alcunha. A alcunha vem com os amigos, a praia, os copos, o surf, as miúdas, o clima, as tascas, os bares. A calanzice, e outros vícios vêm atrás, e fica-se jagoz no meio da intranquilidade de se ser jovem por instantes, e sem querer ficando menos jovem, rapidamente se conquista a velhice. Viver e morrer na Ericeira tem que se lhe diga, e tem de haver uma entrega total.

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Link para a reportagem integral, publicada originalmente no Ericeira Online.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Top Discos 2012 - Bodyspace

11º: Pega Monstro - Pega Monstro
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As Pega Monstro já são muito mais do que mero tópico lol-fi e comprovam-no com este disco homónimo. Têm a atitude punk certa ("eu sou merda mas gostas de mim") e com pouco (voz, guitarra, bateria) atiram ao tapete bandas com mais elementos e instrumentos do que boas ideias. E que, por isso, não fazem grandes malhas como estas. Doze faixas, quase como se este número pré-adolescente fosse uma metáfora para o que afirmam em “Carocho” (do ”não quero ir à escola” ao ”hoje em dia tudo faz tão mal / não comas peixe nem carne nem vegetal”), “Dom Docas” – é escusado repetir um dos refrãos de 2012 – ou “Afta”. Mas as manas Reis já não têm dentinhos de leite. Desde que as vi tocar pela primeira vez, a abrirem para Glockenwise no Music Box, deram um salto tão grande que não sei onde vão parar. Músicas como “Akon” ou “Suggah” relembram-nos do que são capazes bandas que fazem dos três acordes uma espécie de Pai, Filho e Espírito Santo da música. O nosso Aleluia não chega para lhes agradecermos isso.
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Link para o artigo colectivo, publicado originalmente no Bodyspace.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Durante o Fim

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Romance "Durante o Fim", editado pela 100LUZ e apresentado no passado dia 15 de Dezembro na Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, Ericeira.
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Disponível nas livrarias a partir de Janeiro de 2013.
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Capa de Susa Monteiro a partir de uma ilustração de Paulo Monteiro.
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Contactos da editora 100LUZ: editora@100luz.pt / www.100luz.pt

Entrevista Diego Miranda

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Artigo publicado originalmente na revista Surf Portugal # 238 - Novembro / Dezembro 2012.

Top Discos Portugueses 2012 - Bodyspace

9º - Diabo na Cruz - Roque Popular
O Diabo Virou! a página durante a criação deste Roque Popular. Ainda há ecos de fachadismo ao longo das dez faixas, é certo, mas a toada tornou-se mais intensa e trepidante. Para o comprovar, temos logo uma “Bomba Canção” na abertura e outros temas, como “Baile na Eira”, que fazem da energia uma arma de arremesso implacável. Mas o que torna este disco fascinante é o facto de formar um todo ultra-coeso por via de canções com força (as referidas atrás), lirismo (“Luzia”, “Fronteira” ou “Memorial dos Impotentes” servem de contra-peso perfeito) e apelo dançante – como é que “Chegaram os Santos” ainda não se tornou o hino oficial das festas populares?! E o cimento que conduz a este sentido de unidade estética vem de uma alquimia rara: às letras e instrumentais certeiros junta-se o cruzamento de linguagens tradicionais e contemporâneas, rurais e urbanas, sejam elas musicais ou orais. Siga a rusga, meus senhores!
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3º - Pega Monstro - Pega Monstro
As Pega Monstro já são muito mais do que mero tópico lol-fi e comprovam-no com este disco homónimo. Têm a atitude punk certa ("eu sou merda mas gostas de mim") e com pouco (voz, guitarra, bateria) atiram ao tapete bandas com mais elementos e instrumentos do que boas ideias. E que, por isso, não fazem grandes malhas como estas. Doze faixas, quase como se este número pré-adolescente fosse uma metáfora para o que afirmam em “Carocho” (do ”não quero ir à escola” ao ”hoje em dia tudo faz tão mal / não comas peixe nem carne nem vegetal”), “Dom Docas” – é escusado repetir um dos refrões de 2012 – ou “Afta”. Mas as manas Reis já não têm dentinhos de leite. Desde que as vi tocar pela primeira vez, a abrirem para Glockenwise no Music Box, deram um salto tão grande que não sei onde vão parar. Músicas como “Akon” ou “Suggah” relembram-nos do que são capazes bandas que fazem dos três acordes uma espécie de Pai, Filho e Espírito Santo da música. O nosso Aleluia não chega para lhes agradecermos isso. 
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Link para o artigo integral, publicado no Bodyspace.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

As Melhores Canções de 2012 - Bodyspace

1: "Bomba Canção" - Diabo na Cruz
Folk moda punk de cortar a respiração e levantar os pés pelos colarinhos, ou como detonar uma música em pouco mais de três minutos, espalhando cacos pelo rectângulo. Bateria, guitarra e baixo em vertiginoso ataque juntamente com a voz de Jorge Cruz, lançando pregões atrás de pregões para varrer Portugal de lés-a-lés. Diga-se, em abono da verdade, que esta música tem pujança suficiente para fazer abalar fundações bem mais sólidas do que as deste país a cair de podre à conta de moços de ovelhas que, durante as ultimas décadas, têm dado belos presidentes com queda para presidiários. Convém ouvir várias vezes se quisermos manter o rastilho aceso. 
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2: "Como Calha" - B Fachada
A atmosfera rejubilante dos fluorescentes anos 80, com um batida ultra-dançável revestida por sintetizador vaporoso, como se regressássemos às festas de garagem da adolescência, que nos ajudaram a perder a inocência por entre experiências alcoólicas e contactos no quarto-escuro. Ou como se entrássemos numa discoteca que já não existe, com bolas de espelhos e máquina de fumo, reaberta para uma noite especial antes de ser devolvida aos arquivos da memória. Se tudo isto não bastasse para rejubilarmos com esta viagem, sempre que escutamos "Como Calha" redescobrimos uma das letras mais desconcertantes desta colheita, que inclui "matar a velha das finanças / ou ser verde e amoroso no andanças / a encher as freaks todas de esperanças e lembranças / uma vida de caganças".
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3: "Sábado à Tarde" - Feromona
Uma das belezas da música é adaptar-se a determinadas situações e momentos das nossas vidas. E esta é uma daquelas canções que apetece ouvir em repeat sempre que há energia para fazer tudo aquilo que não tem a ver com trabalho ou obrigações. Sejam actividades lúdicas (vaguear sem rumo aparente, ir para a praia ver miúdas em biquini ou apanhar umas ondas) ou programas que nos motivam especialmente, como discutir bola com os amigos ou sair à noite e beber uns copos. Mas também serve de banda-sonora perfeita para aqueles períodos em que nos apetece simplesmente não fazer nada, gozar o dolce fare niente e aproveitar o sol que brilha lá fora. Seja Julho ou Novembro.
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4: "Too Tough to Die" - Neneh Cherry & the Thing
Da revelação (e disco) pessoal da colheita 2012 há muito mais por onde pegar, claro, mas esta malha condensa bastante do que faz de The Cherry Thing um disco soberbo e que vai ganhando pontos a cada audição: camadas de ritmo, experimentalismo e raiva. Free jazz e punk destilados em doses generosas pelos instrumentos deste trio nórdico (destaque para o saxofone lancinante de Mats Gustafsson) e uma voz que tem tanto de melíflua como de ácida, doses repartidas de fragilidade e empowerment - como se vítima e carrasco estivessem personalizados no espírito de Neneh Cherry, resgatada de longo exílio musical para um conjunto de prestações surpreendentes e que ficam registadas para memória futura.
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5: "C" - Black Bombaim
Se o terceiro trabalho destes rapazes é Titânico, a faixa para aqui trazida não é menos do que Colossal. Começando no feedback e no riff introdutórios, que preparam o terreno para a chegada do saxofone. Que quando entra em cena é maior do que a vida, seja tocado em estúdio por Steve Mackay ou em cima do palco por Pedro Sousa. Espécie de mescalina sonora que se insinua pelos sentidos e expande a consciência com os toques xamânicos cozinhados pela guitarra de Isaiah Mitchell. Tudo cimentado pelo poder unificador/destrutivo do trio barcelense, que altera cadências emocionais e acelera numa estrada sem fim à vista. Dezasseis minutos de transe garantidos, ou pede-me o teu dinheiro de volta. 
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6: "Under the Spell of the Handout" - Cody ChesnuTT
A estética lo-fi e toda a vida de malandragem do maravilhoso The Headphone Masterpiece já não moram aqui. Se, por um lado, este Homem descobriu Deus e agora dá catequese a crianças, não se sentindo confortável a cantar músicas como "Bitch, I'm Broke", por outro optou pela sofisticação para construir as suas composições, por vezes orquestrais, onde se encontram pérolas como esta, que mantém o groove como uma das matrizes de Cody Chesnutt. Desde o piano da abertura à voz plena de soul, passando pela guitarra e os metais, tudo nos faz estalar os dedos e colocar os olhos no Céu, mesmo que aqui se fale de fome e falta de esperança na democracia.
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7: "Dom Docas" - Pega Monstro
Bem sei que poderia ter optado pela maior complexidade e lirismo de "Akon" ou "Suggah", temas que funcionam (e muito bem) como espécie de contraponto neste álbum homónimo e abrem portas sonoras para o futuro musical das manas Reis; mas a meu ver o ADN de Pega Monstro está mais presente aqui. São 2:16 minutos de pura energia rock descarnada e sem adornos supérfluos (guitarra e bateria ao despique, pois claro), com o discurso directo e desassombrado de quem não tem problemas em repetir no refrão que "há gajas que gostam de levar na boca". Já estas preferem fazer malhas que partem os dentes de leite a muitos meninos.
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8: "Le Rêve" - Bro-X
Agora que meio Portugal (como o Jean-Pierre do sonho dourado em formato de canção) volta a encontrar na emigração uma luz que brilha ao fundo deste túnel profundo - chamemos-lhe instinto de sobrevivência ou oportunidade, conforme sejamos realistas ou simplesmente enormes filhosdaputa -, talvez seja útil voltarmos a desenferrujar a mistura da língua materna com outros idiomas, seja o portunhol, o inglês de praia ou este franciú de quem regressa em Agosto de vacances à província. Como sempre fomos desenrascados, havemos de conseguir qualquer coisa para nos safarmos além-fronteiras, nem que seja a improvisar como nesta fábula versão manos do Xangai: "O que é que queres fazer? Eu faço quelque chose."
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9: "Avejão" - Gaiteiros de Lisboa
Esta espécie de metáfora musicada a toque marcial conta com a valiosa participação de Sérgio Godinho, que dá ainda mais força a uma das melhores letras da estação. Este “Avejão” dos Gaiteiros faz crítica social e intervenção satirizando, o que não está ao alcance de todos. E o que se satiriza, então, aqui? Uma terra de patos (bravos, claro está) que mais parece um vespeiro, na qual «andam todos à bicada / para chegar ao poleiro»». Um retrato tão realista que faz rir e dói ao mesmo tempo, como se estivéssemos a ler passagens dos «Maias» e déssemos por nós a reflectir que isto não mudou grande coisa. O resto são coros e sopros a lembrar uma enorme gaiola cheia de pássaros esgrouviados. 
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10: "Here Before" - DJ Ride
O grande das Caldas regressa dos títulos mundiais de scratch (se em 2011 ele e o colega Beatbomber Stereossauro trouxeram o primeiro lugar para Portugal, este ano acabaram de conquistar a prata) com um disco menos arrojado em termos electrónicos do que o antecessor Psychedelic Sound Waves, mais próximo de registos que tinham o hip hop e o jazz como pontos de partidas referenciais. Nesta música faz uma síntese de luxo entre esses dois universos, batidas e efeitos em harmonia com a participação de Sarah Linhares, que nos transporta para um espaço e um tempo que misturam sonho e dança. p.s. - menção especial para outro malhão deste ano que conta com o talento de Ride no scratch: “Erasmus Girls”, de DJ Renato Alexandre.
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Link para as escolhas integrais da redacção Bodyspace.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Os melhores momentos de 2012 - Bodyspace

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  1. B - Rancid no Razzmatazz. A rapidinha até Barcelona resultou numas férias lol cost e num dos mais suados concertos da minha vida, recheado de hinos como “Time Bomb” ou “Ruby Soho”;
  2. O - Black Bombaim na Zé dos Bois. Ao início ouve-se "Tira o capuz da cabeça, ó idiota!!" - imagem de marca, primeira fila -, depois os barcelenses rebentam com tudo, taking no hostages: para o comprovar, quando as luzes se acendem uma punk jaz junto ao palco, ainda pintado de fresco com vomitado;
  3. D - The Men na Zé dos Bois. Os homens (e uma mulher-baixista, na verdade) misturaram as guitarras e fuzz com punk para fazer cabeças e corpos rolarem no aquário;
  4. 1 - Antestreia do filme Calor e Moscas. As rocambolescas desventuras dum injustiçado talento musical lusitano incluem participações especiais de Victor Gomes (dos Gatos Negros), Jorge Cruz ou Fernando Cunha aka o Steven Seagal português;
  5. 0 - Refused no Alive. Apesar de alguma histeria hipster em redor do regresso dos autores de The Shape of Punk to Come, os suecos lembraram como o hardcore (seja ou não misturado com techno e spoken word) pode incendiar massas;
  6. S - Tricky no Alive. Negrume narcótico e celebração, especialmente em momentos como "Ace of Spades", em que o palco foi partilhado com dezenas de fãs;
  7. P - Entrar no universo dos Clockwork Boys (há um bom tempo que não via uma banda punk tuga com tamanho carisma), primeiro por via dos vídeos à prova de censura no YouTube, depois pela curta A Vida Ruim de Marion Cobretti, na Feira Laica (inclui golden shower), e finalmente pela audição dos discos;
  8. A - Halloween no Misty Fest. Se até pouco antes de as luzes se apagarem parecia que o São Jorge ia estar meio-vazio, a sala compôs-se para uma noite em que a Bruxa enfeitiçou os presentes com um arsenal pesado de rimas e batidas;
  9. C - B Fachada no Misty Fest. Após o semi-falhanço do karaoke criôlo no Alive, uma noite cheia de magia em Sintra, com momentos de tirar o fôlego e merecidas ovações;
  10. E - Cancelamento da participação portuguesa no Festival da Eurovisão. A austeridade afinal tem alguns aspectos positivos / assim não nos arriscamos a levar com uma representação do João Só ou dos Amor Electro.
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Link para as escolhas integrais da redacção do Bodyspace.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Entrevista Sir Scratch

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Sir Scratch não editava um álbum em nome próprio desde 2005, quando Cinema: Entre o Coração e o Realismo lhe rendeu críticas auspiciosas, entre as quais ser apontado, provavelmente, como o melhor músico surgido na área do hip hop nacional desde Sam The Kid. Agora, cerca de sete anos depois da estreia, surge amadurecido com Em Nosso Nome, que reflecte muito da sua vivência neste hiato temporal. Entretanto não esteve parado, como refere nesta entrevista, ocupando-se com concertos, mixtapes, viagens e participações. Mas uma certa procura pelo perfeccionismo levou-o a ir adiando o segundo lançamento, que conta com diversas colaborações ilustres, da área do hip hop e não só, às quais se refere como o seu «elixir de longevidade e crescimento pessoal». O músico fala-nos ainda de mudanças, sentimentos e propostas em tempos de crise.

Link para a entrevista integral, publicada originalmente no Bodyspace.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vitorino Voador lança Vitorioso Voo na Ler Devagar

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Vitorino Voador é o recente projecto a solo de João Gil, músico de sete ofícios em Diabo na Cruz ou Feromona, entre outros projectos musicais. E no próximo sábado João Gil, perdão, Vitorino Voador lança Vitorioso Voo, o seu EP de estreia, na Livraria Ler Devagar, espaço muito bonito e acolhedor em plena LX Factory. O concerto está marcado para as 22:00, os bilhetes custam 5€ e dão direito a levar o EP para casa, além de se prometerem mais algumas surpresas.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Rodrigo Amado comemora trinta anos de carreira

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Talvez seja melhor recorrer ao plural “carreiras”, uma vez que Rodrigo Amado, além de músico (um dos mais criativos saxofonistas do país) é também jornalista e fotógrafo. E é precisamente pelas imagens que se inicia esta série de eventos: com o lançamento do livro Un Certain Malaise, crónica visual que passa por Moscovo, Varsóvia, Berlim e Copenhaga, marcado para dia 29 de Novembro no Museu da Electricidade / Fundação EDP, data e local em que também será inaugurada a exposição desta série de imagens.

Passando para os concertos integrados nestas comemorações (diz que estamos numa webzine de música), também se recorre ao plural porque são dois e com duas formações distintas. O primeiro ocorre nesse mesmo dia 29 de Novembro, também no Museu da Electricidade, com os Lisbon Improvistion Players, que já não tocam há mais de cinco anos e contam com a participação mais do que especial do saxofonista e trompetista John McPhee. O mesmo McPhee integrará o quarteto all-star formado especificamente para tocar no dia 1 de Dezembro no Centro Cultural de Belém (os restantes três elementos são Kent Kessler, Chris Corsano e, claro, Rodrigo Amado) e, depois, entrar em estúdio para gravar um álbum.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ericeira Surf Shop Festival: Isto Não É Um Festival de Verão

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O que se passou no último Sábado, dia 10, na praia da Foz do Lizandro, Ericeira, não foi um festival de Verão. Desde logo porque ocorreu em pleno Outono – como que para o lembrar, caíram alguns aguaceiros durante a tarde – e, principalmente, porque este evento fugiu à estafada fórmula de música mais copos & fumos, antes aliando de forma muito interessante o surf à arte e à ecologia.
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Link para o artigo integral, publicado originalmente no site da Surf Portugal.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Obras Avançam em Ribeira d’Ilhas


 Demolido o Ribeira Surf Camp nos finais de Outubro, prosseguem as obras de requalificação da emblemática praia. Como se vê pelas fotos, esta quinta-feira decorreram trabalhos de execução das fundações para a infraestrutura projectada e que tantas críticas tem suscitado.

 O impacto negativo desta construção na paisagem é, precisamente, um dos pontos focados pelo comunicado que a SOS – Salvem o Surf emitiu recentemente. Após comentar que “a bitola do surf e dos desportos de deslizamento nas ondas deveria ter sido considerada” quando da avaliação de impacto ambiental do Plano de Pormenor de Ribeira d’Ilhas, esta associação deixa outros exemplos de situações que deveriam ser reavaliadas (tais como os impactos negativos da instalação do emissário da ETAR na qualidade da onda ou da extinção do Ribeira Surf Camp na cultura de surf local) e ainda um rol de medidas a tomar no âmbito da Reserva Mundial de Surf da Ericeira.

 A propósito da demolição do Ribeira Surf Camp e das restantes obras da requalificação de Ribeira d’Ilhas, falámos com José Bizarro e Luís Duarte. Sobre o atraso na demolição do surf camp, cuja tomada de posse administrativa data de 30 de Julho, o vereador da Câmara Municipal de Mafra (CMM) explicou que as obras não se iniciaram em Setembro – como era previsto – porque faltava obter o devido visto do Tribunal de Contas. O autarca reafirma que a obra deverá estar concluída em Maio de 2013, “cumprindo o prazo de execução previsto para os financiamentos implicados”, assegurando também que todas as intervenções decorrem de forma faseada e planeada, “de modo a garantir, a todo o momento, o acesso dos utilizadores à praia e ao estacionamento”.

 Já os expropriados não foram surpreendidos pelos recentes desenvolvimentos, tal a falta de confiança depositada na Justiça e políticos de Portugal. Luís Duarte afirma que não foram contactados pela CMM, desconhecendo por exemplo para onde foram levados os bungalows removidos durante a demolição. Ainda assim, este sócio do Ribeira Surf Camp continua convicto de que serão ressarcidos pelo roubo de que foram alvo e promete continuar a lutar nos tribunais e fora deles.

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Artigo publicado originalmente no site da Surf Portugal, mais precisamente aqui.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aula de dub no Musicbox

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Um dos maiores mestres do dub da actualidade honra-nos com a sua presença no próximo mês. Sábado, 17 de Novembro, o músico e produtor Mad Professor (que tem trabalhado com músicos fora do universo reggae, como Massive Attack) encabeçará mais uma Musicbox Heineken Series que, como é fácil de perceber, terá lugar no clube do Cais do Sodré. A primeira parte está a cargo de Cooly G e a entrada, que vale € 10,00, dá direito a uma bebida.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais precisamente aqui.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Dia da Bruxa no Misty Fest

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Já aqui demos conta da muito aconselhável programação musical do Misty Fest, que se realiza entre os dias 1 e 19 de Novembro, entre várias salas de Lisboa, Sintra e Porto. Hoje lembramos que este festival, que se inicia precisamente de hoje a uma semana, é inaugurado (bem a propósito, aliás) pela bruxa que dá pelo nome da Allen Halloween. O rapper de Odivelas leva a sua poesia das vielas e ruas mal-afamadas até ao palco do Cinema São Jorge, num concerto que promete surpresas e se trata da sua primeira apresentação num contexto de festival urbano. Fica o convite.
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Publicado originalmente no Boyspace, mais concretamente aqui.

B Fachada reinterpreta Sérgio Godinho

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Com a chuva a cair e o frio a chegar, é altura para o (último, antes de prometido retiro sabático?) disco de Inverno de B Fachada. E o cantautor propõs-se reconstruir/regravar nada menos que o primeiro LP de Sérgio Godinho, Os Sobreviventes, editado há quarenta anos. O álbum, que chega às lojas no próximo dia 12 de Novembro, conta com dois convidados especiais: Francisca Cortesão, dos Minta & The Brook Trout, e João Correia, dos Julie & The Carjackers. De acordo com o press release da Mbari, esta nova versão de Os Sobreviventes (gravada por Fachada em 2011, entre o Deus, Pátria e Família e o CD homónimo com que fechou esse ano) é composta por canções do Portugal da ditadura mas que parecem escritas a retratar o tempo presente, como nos casos de “Que Força é Essa” ou “Senhor Marquês”. Chegam, portanto, bem a tempo deste Inverno do nosso descontentamento.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Ribeira Surf Camp reduzido a escombros

Já pouco resta daquilo que foi o Ribeira Surf Camp.
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Pó e destroços. É esta a imagem que fica na retina de quem se dirigir a Ribeira d’Ilhas. Hoje de manhã, funcionários da Câmara Municipal de Mafra (CMM) entraram no surf camp da icónica praia da Ericeira (envoltos em polémicos processos de expropriação e requalificação de que temos dado conta) e, com o auxílio de um caterpillar, iniciaram o processo de demolição das infraestruturas ali existentes, nomeadamente o bar, como se pode ver pelas fotografias na fotogaleria em baixo (Fotos: Hugo Rocha Pereira).

De acordo com o que o vereador José Bizarro tinha declarado à SURFPortugal em Agosto, concretizada a posse administrativa do Ribeira Surf Camp, a CMM pretendia começar as obras no passado mês de Setembro, para ter a requalificação da praia pronta no início da próxima época balnear. No entanto, a autarquia não pôde avançar com as obras na altura prevista por aguardar o visto do Tribunal de Contas (TC) ao contrato de adjudicação da empreitada, autorização que se atrasou porque o TC detectou uma discrepância nos prazos da obra na documentação do processo, obrigando a Câmara a rectificar o contrato e a proposta.

A SURFPortugal vai continuar a acompanhar este caso, trazendo-te todos os desenvolvimentos e novidades.
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Link para a notícia e fotogaleria, publicadas originalmente no site da Surf Portugal.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

PAUS e CCBeat: Estamos Juntos

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Lá para o fim do corrente mês, mais precisamente no próximo dia 26, os PAUS vão até ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém. E trazem novidades e um presente para a festa do CCBeat: convidaram os You Can’t Win, Charlie Brown e, ainda, Fábio Jevelim (de Riding Pânico) para irem a estúdio, de onde saíram com três músicas (semi-)novas – “Cinema Lido”, “Salsa Galáctica” e “Carlos” –, que compõem um EP relâmpago intitulado Estamos Juntos que vão oferecer a todos os que marcarem presença no concerto. Os preços para o concerto variam entre os 5 e os 15 euros.
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Publicado no Bodyspace, mais concretamente aqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O regresso dos Titans a Lisboa

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No início do próximo mês os enormes Black Bombaim estão de regresso a Lisboa. Quem esteve na Galeria Zé dos Bois em Maio certamente quererá apanhar nova pedrada sonora de proporções titânicas; e quem ainda não teve a oportunidade de ver o trio barcelense ao vivo só tem a ganhar se responder à chamada, que tem lugar no Music Box a 3 de Novembro. Os bilhetes custam € 6,00 e a primeira parte do concerto será assegurada pelos Cuzo, com os quais os Black Bombaim partilharam ainda este ano uma tour por terras de Espanha.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ruído global, manifestação cultural

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O próximo dia 13 de Outubro será uma jornada de protesto internacional contra as causas da crise económica e as consequências da austeridade; e este Global Noise terá no slogan “Que se Lixe a Troika! Queremos as nossas Vidas” a ressonância portuguesa da turbulenta cacofonia, numa manifestação que terá uma componente cultural bastante vincada, com eventos de música, dança, teatro, poesia, pintura e outras formas de arte – no texto que apresenta esta manifestação lê-se que "a cultura é imprescindível para a consciência de um povo, e é essa própria consciência que por sua vez cria e dá conteúdo à cultura. Os profissionais da cultura não são excepção à situação exasperante em que o país e o mundo se encontram actualmente: é imprescindível reagir, é impensável não o fazer". Do cartaz musical anunciado para a Praça de Espanha destacam-se nomes como Dead Combo, Brigada Vitor Jara, Camané, Rádio Macau, Manuel João Vieira, Vitorino, Carlos Mendes, Toca Rufar, A Naifa, Chullage ou Diabo na Cruz.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Buraka intercontinental, Som Sistema documentado

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Os próximos tempos continuarão a ser agitados para uma das bandas portuguesas em actividade com mais internacionalizações. Até ao fim do ano os Buraka Som Sistema visitam três continentes enquanto preparam um documentário. A digressão passa pela Índia (três datas noutras tantas cidades, entre o fim de Outubro e o início de Novembro: Deli, Calcutá e Pune), Moçambique – concerto em Maputo, a 9 de Novembro – e Itália, com dose dupla entre Roma e Milão, a 30 de Novembro e a 1 de Dezembro, respectivamente. E ainda arranjam tempo para realizar um documentário sobre a sua carreira. Com imagens captadas pelos EUA, Brasil, México ou Angola, contará com depoimentos de nomes como M.I.A., Santigold ou Diplo e outras individualidades da indústria musical.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

Entrevista Richie Campbell

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Publicado originalmente na revista Surf Portugal # 236, de Setembro 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A escola de Jello Biafra dá uma aula em Portugal

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O carismático e sempre subversivo Jello Biafra (frontman dos lendários Dead Kennedys) regressa a Portugal, acompanhado pela sua Guantanamo School of Medicine. O concerto serve para apresentar o mais recente trabalho da banda, Enhanced Methods of Questioning, e algumas músicas do disco que deverão lançar ainda este ano, White People and the Damage Done, mas também se poderão recordar hinos punk de DK como “Holiday In Cambodja”. A data, 13 de Outubro, e o local, Cine-Teatro de Corroios, numa produção da Xuxa Jurássica que conta ainda com as actuações de Gazua e Dalai Lume. Os bilhetes custam € 20,00.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O espírito Misty regressa em Novembro

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O mesmo espírito, novas paisagens, apregoa a Uguru, promotora que organiza o Misty Fest. Antes baptizado de Sintra Misty, este festival promete marcar o Outono ao apresentar uma vasta programação musical entre Lisboa (do Cinema São Jorge ao Centro Cultural de Belém, passando pelo Lux), o Porto (Casa da Música) e Sintra (Centro Cultural Olga Cadaval) durante os dias 1 e 19 de Novembro. Os nomes que compõem o cartaz são de diversos géneros, com destaque para nomes como Cowboy Junkies, Allen Halloween, A Naifa, Peter Hook & the Light, Supernada, John Talabot, Os Poetas ou B Fachada. Para conhecer o programa em detalhe basta passar pelo site do Misty Fest.

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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

DJ Ride retoma a curadoria no MusicBox com LV

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Após o interregno estival, regressa a mensalidade Rock It! ao clube lisboeta. E para (re)começar, já hoje, dia 14, o Cais do Sodré receberá o dubstep étnico de Sebenza, novo disco dos produtores londrinos LV, que foram buscar inspiração aos ritmos kwaito, soca e funky, bem como à parceria com MCs sul-africanos. Se Routes (o antecessor de Sebenza) integrou muitas listas de “Melhor do Ano 2010” de publicações dedicadas ao clubbing, este recente trabalho (para facilitar trocadilhos parvos, “sebenza” significa “trabalho” em zulu) já foi considerado o disco de música electrónica mais alegre de 2012 e dele já se disse saber a futuro, pelo NME e pela Pitchfork, respectivamente. Por isso, já sabem, se precisam de injectar uma overdose de alegria nas vossas vidas, numa altura em que o futuro (pelo menos a curto-prazo) tem um sabor amargo, vão até ao MusicBox a partir da uma da manhã desta sexta-feira. A entrada custa 8€, que mesmo não sendo dedutíveis em sede de IRS dão direito a duas senhas de consumo.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Com DMC quem ganha é você!!

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Numa época em que muitas bandas integram DJs e em que estes manipuladores de sons e gira-discos são considerados tão músicos quanto os que tocam guitarra, baixo ou bateria, há que dar destaque à maior battle que tem lugar neste cantinho à beira-mar plantado: o DMC Tuga – Campeonato Nacional de DJs, que este ano tem como palco o renovado Ritz Club e acontece já no próximo dia 15 de Setembro. A DMC é a maior organização mundial de DJs – não é por acaso que tornar-se um campeão da DMC é o título de maior prestígio que um DJ pode ter – e os vencedores das três categorias (Individual; Equipas e Supremacy) ganharão o apetecido passe para as finais marcadas para Londres, nos dias 27 e 28 deste mês.

O evento, que começa pelas 22 horas e cujos ingressos custam €12,00 (€8,00 em pré-venda), contará com actividades paralelas: showcase do júri DJ Ligone (World Champion 2010); street art com o GAU; b-boying com os Funky Flex Crew; demonstração de beat box; MPC Jam Session; actuação do DJ residente DJ Freelancer e ainda um concerto surpresa.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

domingo, 19 de agosto de 2012

Novo protesto em Ribeira este fim de semana

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De acordo com o vereador José Bizarro, a Câmara Municipal de Mafra (CMM) prevê “começar as obras no início do próximo mês de Setembro”, assumindo ainda o objectivo de “ter a requalificação da praia de Ribeira D'Ilhas pronta no início da próxima época balnear”. São estas as palavras a destacar das respostas que o vereador do turismo deu à SURFPortugal no rescaldo da tomada de posse administrativa do Ribeira Surf Camp no passado dia 30 de Julho. José Bizarro justifica o timing dessa ação, que agudizou a polémica já existente no âmbito do processo de expropriação do surf Camp, com a necessidade de não se colocar em risco a execução do mesmo projeto de requalificação.
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Link para o artigo integral, publicado originalmente no site da Surf Portugal.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Primeira Prancha

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Podem ler a versão integral deste artigo na Surf Portugal # 234, publicada em Julho de 2012 - edição comemorativa dos 25 anos da Surf Portugal.

Os 25 Melhores Surfistas Portugueses de Sempre

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Podem ler a versão integral deste artigo (realizado em conjunto com João Valente) na Surf Portugal # 234, publicada em Julho de 2012 - edição comemorativa dos 25 anos da Surf Portugal.

Buarcos Sob Ameaça

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Artigo publicado originalmente na Surf Portugal # 234, Julho 2012 - edição comemorativa dos 25 anos da Surf Portugal.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Escrito à mão, cheio de pulmão e coração

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O novo disco dos Gaslight Anthem sai no início da próxima semana, mas já dá para ouvir Handwritten na íntegra (just google it) e ver um par de avanços videográficos para este trabalho dos rapazes de New Jersey, que parecem ter retomado a pulsão mais intensa dos primeiros álbuns. Se em Junho tinha saído o teledisco para o primeiro single, “45”, agora é a vez de a faixa que empresta o nome ao LP ter honrarias de juntar imagem ao som.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ficar a ver navios

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Andam barcos (dos grandes e bonitos) na linha do horizonte. Lisboa é por estes dias a anfitriã das Tall Ship Races, ou Regata dos Grandes Veleiros, que têm passado por vários pontos da nossa costa a caminho do Rio Tejo. E este evento náutico conta com um cartaz musical, de entrada livre, entre amanhã (dia 19) e o próximo Sábado, 21, no Jardim do Tabaco – Santa Apolónia, sempre ao fim do dia.

Dia 19: Joana Lobo Anta / Johnwaynes
Dia 20: Terrakota / Primitive Reason / DJ Ride
Dia 21: Tiago Bettencourt / Frankie Chavez / M-Pex
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Optimus Alive 2012 - 3º Dia

 Radiohead © Mauro Mota
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Nota prévia: o concerto de Radiohead apenas terá desapontado ou deixado insatisfeitos os incautos (ou lunáticos) que aguardavam por aquela música que já só é cantada por aspirantes a ídolos, seja em prime time televisivo ou no karaoke do bairro. A banda originária de Oxford (e principal culpada pela lotação do último dia do Optimus Alive’12 ter esgotado) há muito que está noutra e se desligou desse mega-hit, fazendo porém uma gestão ultra-equilibrada do alinhamento. Já se sabia que iriam basear boa parte da actuação nos trabalhos mais recentes (The King of Limbs, do ano passado; e In Rainbows) e assim foi durante boa parte das mais de duas horas, marcadas por um som limpo e potente, com os músicos projectados em gigantes mosaicos cheios de cor, a amplificar a faceta mais electrónica da banda liderada por um Thom Yorke de rabo-de-cavalo, camisa escura e casaco de cabedal. Se malhas como “Morning Mr. Magpie”, “Lotus Flower” ou “Reckoner” ganharam uma dimensão que muitos poderiam pensar não ser possível em clima de festival, outras houve que refrearam os ânimos durante determinados períodos. Como também era expectável, foram as músicas do período que consagrou os Radiohead como uma das bandas mais importantes e influentes na viragem de milénio as recebidas com maior entusiasmo pela maioria dos presentes no palco principal. “Pyramid Song”, “Exit Music (For a Film)”, “There There” (com a percussão omnipresente), “Paranoid Android”, com as guitarras a rasgar pano em várias direcções, “Everything in Its Right Place” – melhores refrões para o fritanço –, “Idioteque” (que continua a puxar-nos sem freio pelas pernas e braços) ou “Street Spirit (Fade Out)” foram saindo da cartola, muitas delas em modo encore e encheram as medidas a quem tinha esperado dez anos para voltar a ter o privilégio de ouvir ao vivo temas que já fazem parte da história contemporânea. Thom Yorke prometeu que os seus Radiohead não demorarão mais uma década a voltar, mas no fundo eles nunca se foram embora depois dos também memoráveis concertos que esgotaram os coliseus.
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Link para a reportagem integral (em parceria com o Paulo Cecílio) e fotogaleria do Mauro Mota, publicadas originalmente no Bodyspace.

Optimus Alive 2012 - 2º Dia

 Tricky © Mauro Mota
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Ouvi dizer que Tricky andou no meio do público a ver uns concertos. Horas depois haveria de subir ao Palco Heineken para proporcionar um dos momentos altos do Alive’12. Tinha ficado bastante desiludido ao saber que Martina Topley-Bird afinal não o acompanharia a Portugal, pelo que o concerto não seria integralmente dedicado ao incontornável Maxinquaye, mas ao fim de uma hora e um quarto bem intenso “frustração” era o último pensamento que me ocorria. Um sample de Nina Simone anunciava que o Tricky Kid estava bem disposto. O sorriso no rosto e a cerveja ao alto confirmavam-no. Já a fumaça que lhe saía da boca tratava de contaminar as batidas, narcóticas, pesadonas. De "Really Real" a “Where I’m From”, Tricky pode até transmitir alheamento ou abstracção, em danças que parecem lutas consigo próprio, mas sabe perfeitamente que um concerto é feito das trocas de energia entre o palco e o público. Quando toca o malhão incrível que é “Black Steel” (perdoem-me a heresia, mas esta versão supera o original de Public Enemy) podemos pensar que é cedo demais para lançar um trunfo destes… mas de seguida volta a jogar forte: puxa dum ás de espadas – outra versão, esta vez do clássico de Motörhead – e convoca o pessoal a partilhar o palco pela primeira vez. Se agora houve quem pulasse e fizesse headbanging ou partilhasse o micro com ele, no fim do concerto foi o próprio Tricky a pairar sobre as cabeças dos fãs. Entre estes dois momentos a coisa acalmou um pouco, com “Puppy Toy” ou “Past Mistake”. Depois houve ainda lugar a encore para aqueles que não foram procurar antídoto para tanto veneno.
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Link para a reportagem integral (em parceria com o Paulo Cecílio) e fotogaleria do Mauro Mota, publicadas originalmente no Bodyspace.

Optimus Alive 2012 - 1º Dia

 Refused © Mauro Mota
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O tempo começou soalheiro, típico de festival de Verão, com o sol a aquecer os corpos, mas por volta das 19:30 o céu começou a ganhar tons cinzentos, com as nuvens a anunciarem algo. Podia ser chuva, que chegou a tornar-se irritante durante boa parte da noite; podia ser também a actuação duma (renascida) banda sueca de hardcore que pratica um som pouco galhofeiro. Seria uma espécie de intermezzo num dia sem concertos especialmente vibrantes (salvo honrosas excepções) e em que as bandas vencedoras fazem a festa pela festa. Os Refused basearam o seu set no seminal (fica sempre bem dizer isto dum álbum que criou um mito) The Shape of Punk to Come, editado em 1998, ano de desmembramento da banda. Significa isto que a maioria dos presentes em Algés estava pela primeira vez a dar encontrões ao som de malhas tão subversivas como Liberation Frequency, New Noise ou Summer Holydays Vs. Punkroutine. A propósito desta última, em que se grita «Rather be forgotten than remembered for giving in», o vocalista Dennis Lyxzén (que partiu corações de machos e fêmeas) fala um pouco do (polémico) revival: recorda o tempo em que eram uma banda punk insignificante, tocando em casas okupadas e pequenos clubes, antes de apontar a ironia que os faz percorrer grandes festivais quatorze anos após a separação. Opção sell-out?! Eu não tenho nada contra, até agradeço a oportunidade de ficar com o pescoço todo dorido. Mas também encontro a ironia de que ele fala ao ver hipsters que desprezam o hardcore e qualquer ideologia revolucionária abanarem as ancas ao som de músicas tão extremas, tanto lírica como musicalmente. Como ouviria mais tarde, da boca dum tipo com aversão a fotografias, «eles eram uma banda de hardcore normal, depois lembraram-se de fazer um disco incrível que mistura HC com techno, free jazz e spoken word – e são a melhor banda do mundo!». Parte disto pode ser discutível, mas uma coisa é certa: os suecos deram o melhor concerto do dia inaugural desta edição do Alive. Pena o som ter estado um pouco baixo e terem actuado no palco principal e não no contexto mais acolhedor da Heineken. Os concertos de HC pedem uma maior proximidade entre as bandas e o público, certo?
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Link para a reportagem integral (em parceria com o Paulo Cecílio) e fotogaleria do Mauro Mota, publicadas originalmente no Bodyspace.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

E Espanha aqui tão perto

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Não há meio de a banda que melhor fundiu punk com ska e reggae desde os Clash vir a Portugal, não é verdade?! Mas, como se costuma dizer, se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha, que neste caso rima com Espanha. Os autores de clássicos absolutos como … And Out Come the Wolves ou Life Won´t Wait regressam ao país vizinho após dezasseis anos de ausência, para uma dose dupla de poesia e hinos das ruas. Os concertos estão marcados para os dias 30 e 31 de Julho, primeiro em Barcelona (Sant Jordi Club) e depois em Madrid, na Sala San Miguel.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Cinco dedos de conversa sobre Aquelas Três

A Feromona deixou de ser um power trio desde que João Gil se juntou a Bernardo Barata e aos manos Diego e Marco Armés, mas não perdeu a pujança. Como que para o comprovar, foi já sob o formato de quarteto que lançaram o EP Aquelas Três (composto por outras tantas canções aguerridas) há um par de semanas. Continuando numa de números, apanhámos Diego Armés para cinco dedos de conversa, onde se fala um pouco deste recente trabalho e da opção em editar desde já um EP em vez de seguir a via clássica na sucessão ao álbum Desoliúde.
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“1991” já tinha saído na mix-tape de tributo ao Ruptura Explosiva, numa versão acústica a solo. Era um tema que estava a pedir a energia e electricidade do rock?
Sim. O que tinha feito era um esqueleto, um esboço na guitarra clássica, com a melodia de voz, tudo um pouco à pressa para responder ao convite urgente do Tiago Cavaco (aka Tiago Gillul, aka Tiago Lacrau). Logo que experimentámos tocar a canção em banda, na sala de ensaios, percebemos que estávamos perante uma necessidade óbvia: fazer uma homenagem rock ao Patrick Swayze.

A letra desta música tem referências explícitas aos Nirvana e a outros ícones dos anos 90. Até que ponto as influências dessa época continuam a ser fundadoras para vocês, enquanto pessoas, músicos e banda?
Estamos a falar da nossa adolescência tenra, daquela época decisiva no gosto de cada um em que, mesmo sem se saber como ou porquê, se tomam partidos e se definem gostos. Para mim, os Nirvana (e outros) foram e são incontornáveis, do mesmo modo que para o Bernardo os Red Hot (e outros) são “a cena” daquela altura. O meu irmão, por razões óbvias, partilha comigo muitos dos gostos. O João Gil também tem uns gostos muito aproximados no que se refere a essa época. Penso que nas nossas ideias estas personagens, estas bandas e estes sons talvez tenham ficado cristalizados como “aquilo que é fixe”. Eram os nossos ídolos. Por mais que os mates, não te consegues livrar deles. Nem nós queríamos isso, que gostamos muito deles todos, mortos ou vivos.

“Sábado à Tarde” é daquelas malhas que ficam associadas a uma cena que nunca passa de moda: um sábado à tarde será sempre um sábado à tarde, com tudo o que lhe podemos associar, não é?
O sábado à tarde é o monumento temporal ao tédio. É aquele período curto mas lânguido que está depois de tudo o que havia para fazer por obrigação e antes de tudo o resto que vamos fazer porque gostamos mesmo, até às tantas da madrugada. É um impasse sem ralação de qualquer espécie. É estar à varanda a apanhar sol sem o menor sentimento de culpa. Ou então é arrumar a casa e ouvir música. A única coisa que não se pode fazer a um sábado à tarde é deturpar-lhe o espírito, dando-lhe seriedade ou sentido de obrigação. Diria que o sábado à tarde é aquele momento anarco-hippie da semana – e não importa a tua ideologia, filosofia ou religião: vais usufruir dele e deleitar-te, sejas tu conservador católico ou marxista-leninista.

“Ché Guevara Eunuco” acaba por ser, d´Aquelas Três, a música com toada mais lenta e menos radiosa: como que para acentuar que “quando é preciso erguer a voz alto e bom som / a garra perde para o torpor”?
Nunca pensei nisso. Ou, melhor: a relação entre letra e música é, para mim e no que escrevo, simbiótica. Ou seja, elas devem estar lá uma para a outra, em função uma da outra, puxando uma pela outra. Portanto, existe uma procura pela relação ideal, que não seja descompensada ou desequilibrada ou desajustada ou inadequada. Mas o que queria dizer é que não arrastámos a música para acentuar isto ou aquilo. Ela foi acontecendo assim até ficar neste ponto, que é o que considerámos ideal. Com força, mas também com contenção.

Já tinhas abordado esta questão, mas gostava de saber se o lançamento do EP surge mais como concretização duma oportunidade ou sinal dos tempos que a música atravessa, em termos da sua produção e consumo?
É um pouco de ambos, se bem que é mais da primeira: a oportunidade surgiu e não a desperdiçámos. Por outro lado, também sabemos que o consumo da música está cada vez mais distante da noção de “álbum”: o conjunto de canções foi preterido, agora prefere-se uma ou duas músicas de um disco e o resto deixa-se de lado para não gastar megas ao áipode. Então, se só precisam de duas ou três canções, aqui têm Aquelas Três. Daqui a uns meses haverá mais.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.