Mostrar mensagens com a etiqueta Vice. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vice. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de junho de 2012

O kuduro é o novo pimba? O Nel Monteiro responde

.
Há há algum tempo que andava para escrever sobre as ligações portuguesas ao kuduro, mas não estava particularmente interessado em reflectir sobre a) a forma como esse ritmo ultra-libidinoso nascido em Angola foi globalmente popularizado por um luso-descendente baptizado Luís Filipe Oliveira, cujo alter-ego artístico, Lucenzo, produziu o hit internacional “Vem Dançar Kuduro”, nem b) bandas que têm levado este género musical a outros patamares criativos (Buraka Som Sistema, Batida ou Throes+The Shine) — tudo isso é chão que já deu uvas.

A minha ideia passava mais por olhar o modo como alguns artistas da música popular portuguesa andam a inspirar-se no continente africano. Quando, há poucos dias, perdi o concerto que Nel Monteiro (autor da irresistível “Kuduro é Que é Bom”) deu nos arredores da Ericeira, acabei por ganhar um CD autografado e um endereço de email do recordista de cassetes vendidas neste país. E foi essa a faísca que me fez meter mãos à obra.

Liguei para casa do Nel Monteiro, née Manuel Teixeira Monteiro, que muito amavelmente respondeu a algumas perguntas sobre este fenómeno, aproveitando ainda para compilar algumas pérolas que cruzam África com o Portugal mais profundo.
.
Link para o artigo integral, publicado originalmente na Vice.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Indiscreto Charme Chunga da Espiga

Se te lembras do Dia da Espiga, então é porque não foste ao Dia da Espiga.


 Fenómeno: na Espiga há sempre um carro que se enterra na areia em intervalos de 15 minutos.

O Dia da Espiga acontece sempre numa quinta-feira, quarenta dias depois do Domingo de Páscoa, e, como noutras datas, confundem-se os significados pagão (ligado ao culto da fertilidade, a passagem dos rigores do Inverno para a bonança estival) e religioso. Manda a tradição que neste dia os jagozes (aka nativos da Ericeira) se juntem à volta de diversos petiscos bem regados com tinto carrascão e a cerveja de eleição. De há uns bons anos para cá, os mais jovens reúnem-se logo na noite de quarta-feira, sobretudo na Foz do Rio do Lizandro, onde acampam até as energias deixarem. Se tradicionalmente neste dia se ia ao campo colher um ramo formado por espigas de cereais e flores, o que acontece na prática é uma aglomeração impressionante de gente com enorme vontade de comer e beber até cair.

O que se diz sobre os anos 60 é, de certo modo, aplicável ao Dia da Espiga: se te lembras de muitas coisas, então é porque não o viveste e, de facto, uma das poucas lembranças que guardo dos primeiros anos da Espiga é a de cambalear enquanto perseguia o Paulo Gonzo e a Sofia Aparício, num daqueles raros momentos em que se recupera a consciência e se consegue perceber o que está a acontecer, no meio de uma bebedeira monstra. O aspecto patético desta perseguição freak não pode, mesmo assim, ser aproveitado por ninguém porque todos à volta estão normalmente em estado equivalente ao teu ou pior.

A Espiga é uma celebração tóxica muito democrática. A sua beleza passa também por aí: ninguém pode gabar-se de ser a pessoa que acorda com a aparência mais digna e agradável. Os sinais de desgaste e excesso são mais ou menos constatáveis em todos. Não há glamour que resista à Espiga e as seguintes fotos revelam isso também.


Link para o artigo integral realizado em conjunto com Miguel Arsénio e publicado originalmente na Vice.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Uma Entrevista Escrita a Sangue Negro

.
Não precisam fugir a sete pés, como o diabo da cruz, que isto não é um artigo sobre rituais satânicos ou sacrifícios humanos. Entrevistei o mentor do projecto musical La Chanson Noire, que afirma ter como principal objectivo “a divulgação dos prazeres da decadência, a apologia da exuberância e da extravagância, a defesa da liberdade e da libertinagem”. O álbum Cabaret Portugal, a ser editado no próximo dia 1 de Abril, comprova-o: é um cadáver esquisito que tem faixas com títulos tão sugestivos como “Valsa Suína” ou “Sonho de Uma Noite de Varão”. Entre outras coisas, aqui fala-se do Rei Ghob, doenças venéreas e luvas tornadas objectos de merchandising. E também se solicitam voluntárias para uma possível edição discográfica assinada em sangue menstrual. Eventuais interessadas deverão contactar Charles Sangnoir.
.
Link para a entrevista integral, publicada originalmente na Vice.