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quinta-feira, 29 de março de 2012

Uma Entrevista Escrita a Sangue Negro

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Não precisam fugir a sete pés, como o diabo da cruz, que isto não é um artigo sobre rituais satânicos ou sacrifícios humanos. Entrevistei o mentor do projecto musical La Chanson Noire, que afirma ter como principal objectivo “a divulgação dos prazeres da decadência, a apologia da exuberância e da extravagância, a defesa da liberdade e da libertinagem”. O álbum Cabaret Portugal, a ser editado no próximo dia 1 de Abril, comprova-o: é um cadáver esquisito que tem faixas com títulos tão sugestivos como “Valsa Suína” ou “Sonho de Uma Noite de Varão”. Entre outras coisas, aqui fala-se do Rei Ghob, doenças venéreas e luvas tornadas objectos de merchandising. E também se solicitam voluntárias para uma possível edição discográfica assinada em sangue menstrual. Eventuais interessadas deverão contactar Charles Sangnoir.
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Link para a entrevista integral, publicada originalmente na Vice.

sábado, 5 de novembro de 2011

A banda sonora do Lisbon & Estoril Film Festival’11

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Nesta quinta edição, a decorrer entre os dias 4 e 13 de Novembro, o festival de cinema dirigido por Paulo Branco alarga horizontes para Lisboa; e fá-lo ao mesmo tempo que celebra a transversalidade com as outras formas de criação artística e se afirma como um espaço de reflexão e debate dos temas que definem a agenda cultural contemporânea. A música estará, assim, presente no LEFFEST sob várias formas. No Simpósio Internacional “Os direitos de autor na era da Internet: que futuro para as indústrias culturais? (a decorrer nos dias 11 e 12 de Novembro no Centro de Congressos do Estoril) uma das mesas-redondas ser-lhe-á dedicada, contando-se com as presenças de músicos como Adolfo Luxúria Canibal, Sophie Auster ou Paulo Furtado aka Legendary Tiger Man. Haverá, também, lugar para concertos e dj sets, diversificados nas sonoridades e nos espaços em que vão decorrer.

Dia 5: DJ Set de Randall Poster (supervisor musical de filmes como Zodiac, Velvet Goldmine ou Kids) no Lux, pelas 24:30;

Dia 7: Concerto do violinista Gidon Kremer e do violoncelista Giedre Dirvanauskaite, apresentando obras de Poleva, Kancheli, Bach e Gubaidulina, no Centro Cultural de Belém, pelas 21 horas;

Dia 10: Concerto de Sophie Auster (filha de Paul Auster, escritor e realizador presente no Simpósio Internacional do LEFFEST, do qual integrará também o júri) no Lux, pelas 22 horas;

Dia 11: Concerto de Para One (o francês Jean-Baptiste de Laubier, realizador e produtor de música electrónica, que já remisturou Daft Punk, Justice ou Boys Noize) + Logo – dupla parisiense de electro, composta por Hugues Tonnet de Parrel e Thomas Desnoyers, apresentada como um dos mais promissores projectos da editora Kitsuné – no Lux, pelas 23 horas.

Para quem quiser perder-se e encontrar-se entre antestreias, homenagens e retrospectivas, fica o site do Lisbon & Estoril Film Festival´11.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PAUS @ Lux - 17/2/2011


Começando ao contrário, que esta foi a última vez; mas também a primeira. Se qualquer concerto se quer uma experiência única, estas datas em que os PAUS levaram convidados especiais ao Lux, foram irrepetíveis. Ontem os convidados foram Chris Common, baterista dos These Arms Are Snakes – anunciado atempadamente –, e a surpresa da noite: os Tocándar. Antes da banda da bateria siamesa subir ao palco, já os membros do grupo de percussão vindo da Marinha Grande estavam entre o palco e a plateia, fazendo ressoar os bombos de pele de cabra. Quando os PAUS entram em cena, acompanhados por Chris Common, entra-se numa renovada dimensão de intensidade, que cruza electrónica com electricidade, noise-rock e psicadelismo. O som é visceral, ao mesmo tempo cru e polido. Uma harmonia surpreendente que se entranha.
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Link para o artigo integral. Publicado originalmente no Bodyspace.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Entrevista: Adolfo Luxúria Canibal


Em semana de Fantasporto (dia 25 marcou o arranque oficial do emblemático festival de cinema fantástico da Invicta) e uns dias após o seu clube ter dado novo passo em frente na Liga Europa, o Bodyspace apresenta um exclusivo com Adolfo Luxúria Canibal. O carismático vocalista dos Mão Morta, que comemoraram as Bodas de Prata no ano passado com o lançamento de Pesadelo em Peluche, falou de tudo um pouco até ficar quase sem bateria no telemóvel, numa conversa em que não se deu pelo passar do tempo. Como no palco, limitou-se a seguir uma regra simples: não deixar nada em suspenso, assumindo as suas posições e respectivas consequências. Falou de música e chegou a Budapeste; passeou-se pela actualidade internacional e partilhou gostos pessoais, até chegar à actividade como jurista apaixonado pela área do ambiente. Talvez uma das mais extensivas entrevistas concedidas pelo multifacetado músico, que ao fim de décadas de carreira mantém intacto o impulso criativo.

Link para o artigo completo, com a entrevista ao vocalista dos Mão Morta.

Publicado originalmente no Bodyspace.

A Revolução Vai Ser Amplificada


O dia 12 de Março foi palco da maior manifestação da minha geração. Abril e Maio são meses com datas marcantes, no panorama nacional (hoje comemora-se a Revolução dos Cravos, embora este ano não haja as habituais comemorações oficiais na Assembleia da República, porque o Parlamento está dissolvido…) e internacional: o 1º de Maio é sinónimo de Dia do Trabalhador desde finais do Século XIX. 

O que é que isto tem a ver com música, perguntarão alguns. Bastante, até. A música não serve apenas para bater o pé, entreter e engatar – embora estas facetas já lhe conferissem um papel mais importante do que todos aqueles que Tozé Martinho desempenhou na carreira de actor, com ou sem pullover amarelo pelas costas. A música também alimenta a alma de inquietações e atira constantemente achas para a fogueira das transformações sociais e políticas dos povos e nações. Dos Clash a Gil Scott-Heron, do Hip Hop ao Reggae, passando pelo Jazz, sempre houve músicos que não se limitaram a romper com cânones estéticos e partilharam princípios éticos, mesmo que com isso arriscassem pagar a factura do activismo desalinhado, sendo por vezes detidos pelo sistema que ousaram afrontar. O livro 33 Revolutions Per Minute – A History of Protest Songs, de Dorian Lynskey, está aí para o atestar. 

Por isso é que ao "nosso" 25 de Abril se associam as composições de Zeca Afonso ou José Mário Branco; e que a manifestação de 12 de Março foi bastante inspirada (custe a quem custar…) por uma música. A mani-festa acabou por ter uma banda-sonora transversal, à imagem do povo que tomou a rua por um dia: as presenças de Blasted Mechanism, Vitorino, Homens da Luta, Fernando Tordo, Kumpania Algazarra e Rui Veloso cruzaram estilos e fizeram a ponte entre gerações descontentes com o status quo. Entre os dias 25 de Abril e 1 de Maio, a Casa da Música, no Porto, programa o Festival Música & Revolução, onde se inclui a actuação de Ursula Oppens, que tocará ao piano uma peça composta a partir de "O Povo Unido Jamais Será Vencido!", criada pelo chileno Sergio Ortega para o tempo de Salvador Allende e que viria a transformar-se num hino de revoluções um pouco por todo o globo, incluindo no nosso cantinho à beira-mar plantado. 

Afinal de contas, isto anda tudo ligado por harmonias destinadas a causar sobressaltos nas consciências mais ou menos adormecidas. O Bodyspace foi saber o que oito ilustres (músicos ou ligados à nossa paixão a esta arte) pensam sobre o papel da música nas transformações sociais e políticas, onde é que estavam no dia 12 de Março e que opinião têm sobre esse dia que acabou por ser replicado, ainda que em menor escala, na vizinha Espanha. 

In the end I think of music as saving grace for all humanity — Henry Miller.
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Link para o artigo completo, incluindo as entrevistas com Adolfo Luxúria Canibal, Cristina Branco, Diego Armés, Jel e Falâncio - Homens da Luta -, Guitshu, Ikonoklasta, Pedro Mateus - X-Acto, Rui Miguel Abreu e Vitorino.

Publicado originalmente no Bodyspace.