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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

PAUS e CCBeat: Estamos Juntos

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Lá para o fim do corrente mês, mais precisamente no próximo dia 26, os PAUS vão até ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém. E trazem novidades e um presente para a festa do CCBeat: convidaram os You Can’t Win, Charlie Brown e, ainda, Fábio Jevelim (de Riding Pânico) para irem a estúdio, de onde saíram com três músicas (semi-)novas – “Cinema Lido”, “Salsa Galáctica” e “Carlos” –, que compõem um EP relâmpago intitulado Estamos Juntos que vão oferecer a todos os que marcarem presença no concerto. Os preços para o concerto variam entre os 5 e os 15 euros.
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Publicado no Bodyspace, mais concretamente aqui.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Optimus Alive 2012 - 3º Dia

 Radiohead © Mauro Mota
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Nota prévia: o concerto de Radiohead apenas terá desapontado ou deixado insatisfeitos os incautos (ou lunáticos) que aguardavam por aquela música que já só é cantada por aspirantes a ídolos, seja em prime time televisivo ou no karaoke do bairro. A banda originária de Oxford (e principal culpada pela lotação do último dia do Optimus Alive’12 ter esgotado) há muito que está noutra e se desligou desse mega-hit, fazendo porém uma gestão ultra-equilibrada do alinhamento. Já se sabia que iriam basear boa parte da actuação nos trabalhos mais recentes (The King of Limbs, do ano passado; e In Rainbows) e assim foi durante boa parte das mais de duas horas, marcadas por um som limpo e potente, com os músicos projectados em gigantes mosaicos cheios de cor, a amplificar a faceta mais electrónica da banda liderada por um Thom Yorke de rabo-de-cavalo, camisa escura e casaco de cabedal. Se malhas como “Morning Mr. Magpie”, “Lotus Flower” ou “Reckoner” ganharam uma dimensão que muitos poderiam pensar não ser possível em clima de festival, outras houve que refrearam os ânimos durante determinados períodos. Como também era expectável, foram as músicas do período que consagrou os Radiohead como uma das bandas mais importantes e influentes na viragem de milénio as recebidas com maior entusiasmo pela maioria dos presentes no palco principal. “Pyramid Song”, “Exit Music (For a Film)”, “There There” (com a percussão omnipresente), “Paranoid Android”, com as guitarras a rasgar pano em várias direcções, “Everything in Its Right Place” – melhores refrões para o fritanço –, “Idioteque” (que continua a puxar-nos sem freio pelas pernas e braços) ou “Street Spirit (Fade Out)” foram saindo da cartola, muitas delas em modo encore e encheram as medidas a quem tinha esperado dez anos para voltar a ter o privilégio de ouvir ao vivo temas que já fazem parte da história contemporânea. Thom Yorke prometeu que os seus Radiohead não demorarão mais uma década a voltar, mas no fundo eles nunca se foram embora depois dos também memoráveis concertos que esgotaram os coliseus.
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Link para a reportagem integral (em parceria com o Paulo Cecílio) e fotogaleria do Mauro Mota, publicadas originalmente no Bodyspace.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Em Loulé, este fim-de-semana

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É já sexta e sábado (dias 29 e 30 de Junho, portanto) que decorre a 9ª edição do Festival Med, um dos mais importantes certames de World Music realizados em Portugal. Serão dois dias com actuações divididas por três palcos (Matriz, Cerca e Castelo) e muita música para ouvir. Os destaques são mais que muitos: PAUS, Cheikh Lô, Throes + The Shine, A Curva da Cintura (com Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Toumani Diabat), SMOD (no dia 29); Norberto Lobo, Jamaican Legends (com Ernest Ranglin, Monty Alexander e Sly & Robbie), You Can´t Win, Charlie Brown ou Boubacar Traoré, no dia 30. Para consultar o cartaz completo é ir ao site do festival; para ouvir um tema quentinho basta clickar no play aí em baixo.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Festival Novos Talentos FNAC’12 no São Jorge

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O Dia Europeu da Música, que acontece a 21 deste mês, serve de arranque ao Festival Novos Talentos FNAC’12, que se prolonga até ao dia seguinte, sempre no Cinema São Jorge, em Lisboa. Durante esses dois dias será possível assistir a concertos de vinte e duas bandas. Para não estar a ser redundante - pois os nomes estão no cartaz -, adianta-se apenas que todos os projectos musicais fazem parte da edição do CD Novos Talentos FNAC Música, compilação editada pelo sexto ano consecutivo em parceria com Henrique Amaro, na direcção artística. Ao todo, são sessenta!! temas inéditos, de outros tantos criadores. Resta dizer que este CD triplo está à venda por 4€ e que a totalidade das receitas reverte a favor da AMI para o combate à infoexclusão.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

PAUS: última chamada para Barcelona

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O San Miguel Primavera Sound, que começa já na próxima quinta-feira (vai de dia 30 de Maio a 3 de Junho), fala português em dose dupla. Após a confirmação dos Linda Martini - que tiveram uma grande recepção no Ritz Clube na passada sexta-feira -, o cancelamento do produtor e MC EL-P abriu uma vaga, que será ocupada pelos PAUS. Dose dupla, portanto, para o baterista Hélio Morais, que tocará duas vezes no dia 31, data que conta com pesos-pesados do calibre de Refused, Thee Oh Sees, Mudhoney ou Black Lips.

Como nem toda a gente vai poder rumar a Barcelona (muitos estarão de olho no Optimus Primavera Sound, que se realiza no Porto daqui a nada – corre de 7 a 10 de Junho), aqui ficam outras datas e locais em que podem apanhar a banda da bateria siamesa, das teclas psicadélicas e do baixo colossal, sempre na boa companhia de You Can’t Win, Charlie Brown:

1 Junho: Teatro-Cine de Torres Vedras
14 Junho: Teatro José Lúcio, Leiria
15 Junho: Teatro Gil Vicente, Coimbra
16 Junho: Teatro Virgínia, Torres Novas
22 Junho: Teatro Aveirense, Aveiro
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Optimus Alive: P de Portugueses, P de PAUS

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Após a confirmação de alguns artistas estrangeiros (Radiohead, Caribou, The Cure, Florence + The Machine, Justice, The Stone Roses, Mazzy Star, Metronomy e Snow Patrol), eis que é anunciada a primeira banda portuguesa que integrará o cartaz do festival Optimus Alive'12, que decorre entre os dias 13 e 15 de Julho: os PAUS (de Hélio Morais, João “Shela” Pereira, Makoto Yagyu e Joaquim Albergaria) actuam dia 15 de Julho, no Palco Optimus. Óptima oportunidade para ver ou rever uma banda que já passou pelo Passeio Marítimo de Algés em 2010; óptima chance de ouvir ou voltar a escutar os temas do EP É Uma Água e do LP homónimo, lançado no ano passado. Óptima notícia porque não gostamos do que o novo acordo ortográfico faz à língua portuguesa. Preferimos usar outro tipo de salsa como tempero.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

As melhores canções de 2011

1 - B Fachada: "Deus, Pátria e Família"
Se toda a gente já teve, tem ou ainda vai ter o momento em que passa de hater a lover do universo musical muito particular de B Fachada, esta terá sido a minha epifania; o momento em que a cena bateu e pensei estar perante um talento e não uma fraude. Algo como: «Eh pá! É melhor parar de gozar com este gajo e passar a escutar o que ele faz». E o que B Fachada canta neste disco de Verão quente tem todos os ingredientes que compõem uma grande canção. Em vinte minutos há galinhas a cacarejar e piano a esvoaçar, voz que canta idiossincrasias pátrias e íntimas sob uma melodia entre o ululante e o libertário. Há, sobretudo, uma canção que acerta no centro dum alvo em movimento, sem floreados nem concessões.

2 - PJ Harvey: "Written On The Forehead"
Esta é uma das canções que fizeram de Let England Shake um dos melhores discos de 2011. A toada lânguida de “Written On The Forehead” e as palavras melodiosas mas incendiárias de Polly Jean Harvey são reforçadas pelo sample de “Blood And Fire” – clássico reggae de Niney “The Observer”. O “Let it burn, let it burn, let it burn, burn, burn…” que atravessa a faixa como uma espécie de mantra (vindo da gravação original ou dos lábios de PJ) continua a ecoar nos ouvidos muito depois de a música terminar. É deixar arder, talvez a cura chegue entretanto.

3 - Panda Bear: "Benfica"
Tomboy termina em apoteose desportiva, com uma faixa dedicada ao Glorioso. Nela canta-se o valor da vitória e ouvem-se os adeptos, puxando pela equipa em uníssono, numa imensa onda que varre as bancadas de lés-a-lés. Sente-se a ambição pela vitória, inscrita nos genes do Clube. Se passasse no Estádio da Luz em dias de jogo, este hino funcionaria certamente como talismã para o Benfica – dando descanso aos UHF, por exemplo – e seria ouvido por dezenas de milhares de almas em êxtase simultâneo. Assim, permanecerá como um tesouro acessível a quem ouvir o registo de estúdio ou se deslocar aos concertos deste ilustre lisboeta, o que lhe reserva um charme mais discreto.

4 - James Blake: "Limit To Your Love"
Numa era em que a tecnologia democratiza a criação musical (e a respectiva difusão) multiplicam-se covers/versões de tudo e mais alguma coisa, mas as que merecem uma mera audição já são poucas. Raras mesmo são as pérolas que brilham de tal forma que ofuscam o original. É o que aconteceu com a música que tornou James Blake um dos meninos queridos do ano passado. Ao pegar na balada da canadiana Feist, despindo-a ao essencial – piano, voz e electrónica suave –, criou um clássico contemporâneo. Tal como aconteceu com “Hurt”, de Nine Inch Nails, após a interpretação de Johnny Cash, esta música agora (também) é de James Blake.

5 - PAUS: "Malhão"
Existem outras faixas igualmente boas no primeiro longa-duração de PAUS, outras músicas que cruzam como poucas bandas conseguem fazer balanço com intensidade e batida com electricidade. Mas nenhuma delas tem um refrão que dá vontade de repetir ao ouvido duma miúda gira que nos dê trela às tantas da manhã: “Mordi-te antes que / Antes que me mordesses tu / Despi-te com medo que / Com medo que me visses nu” é algo tão belo e afrodisíaco que deveria andar sempre na nossa carteira, ao lado das embalagens “Durex”.

6 - Tom Waits: "Hell Broke Luce"
A toada é militar mas Tom Waits é tudo menos ortodoxo – aquilo em que este alquimista da música toca transforma-se em lingotes de ouro clandestino. Neste caso derrete uma batida diabólica que faz lembrar a chegada das tropas inimigas e ergue a barricada sonora com que se defende das bombas disparadas pela guitarra eléctrica. Quase que o podemos visualizar nas trincheiras, de capacete e uniforme – mas com o chapéu e o fato debaixo do braço –, à espera de escapar para junto do piano quando o Inferno conceder uma trégua ao seu exército.

7 - Diego Armés: "Entre Dentes"
Neste quadro poético dos afectos e dos encantamentos, um estado de graça flui entre as cordas, o acordeão e a voz, criando uma espécie de pacto secreto selado pelas palavras, enigmáticas mas que dão sentido e força a tudo o resto, saindo da boca de Diego Armés para arrepiarem os ouvintes como uma tarde fria de Outono. Primeiro insinuando-se aos sentidos, numa toada lenta e envolvente, depois embalando os enganos num ritmo que ora avança ora se detém. Uma canção misteriosa numa estreia a solo que não engana.

8 - Halloween: "Drunfos"
A Árvore Kriminal está cheia de rimas tão brutais como um ataque terrorista e eficazes como um remate de pé esquerdo do Cardozo; mas nenhuma será tão plástica, tão moldável quanto o «Hoje vou sair, vou rolar / Vou dizer a todas as miúdas “Olá!”». Experimentem adaptá-la a outras situações e perceberão que estes drunfos um dia podem estar disponíveis em saquetas numa qualquer farmácia, de forma perfeitamente legal, sob a forma de genéricos para aliviar as dores de costas. Porque o produto original (a real thing) é de Allen Halloween, e é pouco provável que ele ceda a patente de mão beijada.

9 - Buraka Som Sistema: "(We Stay) Up All Night"
Se o “Benfica” do Panda Bear é o hino para a Catedral Sagrada, este é o salmo dos templos profanos de prazer, luxúria e abandono. Para agitar a pista enquanto se lava a vista; transpirar como se tivéssemos corrido quilómetros ao som dum sistema cada vez mais oleado e ao qual sobra inspiração. Se organizarem uma festa e o ambiente estiver a arrefecer, sempre podem experimentar meter esta malha a bombar no máximo. O mais certo é conseguirem o efeito desejado; mas se a cena não ressuscitar, caguem e vão à procura dum sítio onde ainda não esteja tudo morto e acabado.

10 - Rebecca Black: "Friday"
Escolhi esta como poderia fechar com a “Morena Kuduro” ou a “Ai, Se Eu Te Pego” – ambas na voz de José Malhoa, claro –, ou qualquer outro êxito sem pés nem cabeça, cuja razão de ser é a paródia. Os minutos de risota proporcionados por músicas que geram videoclips absurdos e justificam como o mais perfeito dos álibis danças bizarras são priceless. E o que não tem preço é muito valioso numa altura em que o custo de vida anda pela hora da morte. Escolhi a “Friday” porque foi esta que o Paulo Cecílio passou nas Festas do Bodyspace, em performances que já pertencem ao imaginário colectivo. p.s. – mas se ele tivesse passado a “Paradise”, ou outra qualquer de Coldplay, não havia abébias para ninguém. Até o mau gosto tem limites.
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Artigo colectivo publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui. Ver também parte do artigo no P3 do Público.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A 10ª edição do Sons de Vez decorre entre Fevereiro e Março em Arcos de Valdevez

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Rima e, neste caso, é verdade. O Auditório da Casa das Artes de Arcos de Valdevez prepara-se para receber mais uma ecléctica Mostra de Música Moderna Portuguesa: The Gift, JP Simões, Frankie Chavez, Osso Vaidoso, A Naifa, PAUS, Kussondulola e B Fachada são alguns dos nomes que, entre 3 de Fevereiro e 24 de Março, vão espalhar música pela localidade minhota.
Para comemorar o 10º aniversário deste festival, será editada também uma compilação com temas de artistas que já passaram pelo Sons de Vez (como Gaiteiros de Lisboa, Mão Morta, Linda Martini, Foge Foge Bandido, Dead Combo, Pop Dell´ Arte…) ou que marcarão presença nesta décima edição.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Trilogia da Vida Fácil: o primeiro tomo é servido já no dia 28

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No próximo dia 28 de Janeiro as Largo Residências começam a apresentar a Trilogia da Vida Fácil na Taberna das Almas, Anjos. A festa será encabeçada pelos PAUS, que partilharão a noite com outros músicos – Filho da Mãe, o projecto Montanhas Azuis (de Norberto Lobo e Mário Franco), Joana Sá & Eduardo Raon – e artistas que os inspiram: Jemima Stehli, Gwendolyn Van Der Velden, Eduardo Leitão e Dunya Rodrigues. Os PAUS, que foram convidados para programar este primeiro tomo da trilogia, prometem um concerto «daqueles no chão, sem palco, com o people que é people todo à volta». Em Janeiro faz um frio de rachar, há que aquecer as almas na taberna.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Topes 2011 Bodyspace


Nº 1 Geral : Panda Bear - Tomboy
Logo na primeira faixa Panda Bear garante que podemos contar com ele. E as hipotéticas dúvidas – é difícil guardar reservas quando falamos de alguém que nos tem dado alguma da melhor música dos últimos anos, tanto a solo como nos Animal Collective – desfazem-se à medida que vamos mergulhando em Tomboy. Se a maior parte dos discos não resiste a audições consecutivas, este como que cresce a cada viagem pelas suas onze faixas, de que “Slow Motion” ou “Last Night At The Jetty” serão paradigmas de excelência: música na vanguarda, sem se deixar enredar por modas fugazes, e que nos transporta para outras dimensões. As harmonias vocais envoltas em eco e as múltiplas camadas sonoras transmitem carradas de sensações, tanto nos fazendo dançar como elevar acima das ondas (em “Surfer’s Hymn”), cantar ou orar, na mais introspectiva “Scheherazade”. Já tínhamos apontado o número de temas do disco: onze, tantos quantos os jogadores que formam uma equipa de futebol, como a do Glorioso clube de que Noah Lennox é adepto confesso. “Benfica” encerra Tomboy como um golo dourado decide uma partida. E mesmo quem não liga a futebol se emocionará com o apoteótico clamor do Estádio, em vagas de louvor à vitória que, no final de contas, é o que todos ambicionamos e aquilo que Panda Bear mais uma vez consegue com este disco.
 
Nº 12 Geral: Radiohead - The King Of Limbs
Ponto prévio: este álbum não entrará no pote milionário onde cabem obras como Ok Computer, Kid A ou Amnesiac. Ainda assim, The King Of Limbs eleva-se acima da mediania do muito que se vai produzindo por aí, e é caso para dizer que se fosse da autoria de alguma banda emergente não seria difícil gerar estardalhaço em seu redor. E não sendo um disco imediato (o que nem é de estranhar em Radiohead), recheado de clássicos absolutos ou temas que entrem à primeira – “Lotus Flower” será a que mais se aproxima disso, com aquela linha de baixo e Thom Yorke em grande estilo –, apresenta um punhado de momentos inspirados. Do nervosismo que transpira de “Morning Mr. Magpie” à alucinante complexidade rítmica de “Feral”, passando por momentos mais densos (a perturbante “Codex”) ou a estranha beleza de “Give Up The Ghost”. Enfim, mesmo futebolistas geniais como “El Mago” Pablo Aimar nem sempre se exibem ao mais alto nível, mas guardam mais magia numa simples finta de corpo do que muitos jogadores esforçados em mil correrias pela linha lateral.
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Nº 16 Geral / Nº 3 Portugueses : PAUS - PAUS
Poderia voltar a descrever o entrosamento entre Hélio e Albergaria (os bateristas-siameses de serviço), que roça a perfeição; a grandeza diabólica do baixo manipulado por Makoto; as sensações transmitidas pelos teclados de “Shela”; as palavras, que permanecem um instrumento mas ganham um protagonismo maior e contornos mais nítidos; ou a forma como tudo isto se agiganta em palco, na troca de fluidos com o público. Mas já estamos fartos dessas conversas – dos trocadilhos com o nome da banda, então, nem vale a pena falar. É melhor, então, concentrarmo-nos na música: Música não linear / Música para dançar / Música para tripar / Música para malhar / Música para queimar / Música para saltar / Música para transpirar / Música para gritar / Música para contemplar / Música para escutar / Música para descruzar / Música para explorar / Música para tocar / Música para inspirar / Música para voar / Música para desmaiar / Música para hipnotizar / Música para iluminar / Música para viajar / Música para acordar / Música para mergulhar / Música para libertar / Música para vaguear / Música para Pausar… Upss!
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Nº 8 Portugueses: B Fachada - Deus, Pátria e Família
Portugal continua muito marcado por dois triunviratos: o “Deus, Pátria e Família” que dá nome a este EP e os “Três FFF” – Fado, Futebol e Fátima, aos quais se voltou a juntar o malfadado FMI, num ano que foi tudo menos fácil. E 2012, insistem em tom de ameaça, vai ser ainda bem pior. Sendo assim, o que B Fachada aqui canta soa cada vez mais acertado, entre uma revisão da matéria dada, a premonição de «Portugal está para acabar» / Portugal vai rebentar» e a captação do ar dos tempos. Sublima-se uma realidade negra (trocado por miúdos: torna-se a merda em algo belo) através do cacarejar de galinhas, do piano – que começa fúnebre para animar passado um tempo, como uma ave que estrebucha depois de lhe cortarem a cabeça – e da voz, que dispara rimas em fachadês contra a «piça do poder» e apela ao boicote do sistema, pois já não chega a mera abstenção. E quando suspende o ataque às idiossincrasias da pátria, naquele ritmo incendiário, B Fachada debruça-se sobre o que lhe é mais querido e familiar – a abrir e a fechar a segunda parte canta coisas íntimas, numa toada lenta e melosa. São “apenas” 20 minutos, mas dizem muito sobre nós.
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Participação no artigo colectivo Topes 2011, publicado originalmente no Bodyspace

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PAUS - PAUS


Lenha para queimar os ouvidos

A maior dificuldade em escrever sobre o álbum de estreia dos PAUS é evitar a repetição. Embora este seja apenas o primeiro LP que editam, já muito se disse e escreveu – desde o impacto do EP É Uma Água aos concertos explosivos – sobre a banda formada por quatro letras e outros tantos elementos: Joaquim Albergaria, Makoto Yagu, João “Shela” e Hélio Morais. Podem estabelecer-se comparações com outros grupos ou rebuscar-se referências e influências musicais, mas o que importa, sobretudo, é referir que escutar este disco é um pouco como assistir à combustão de lenha numa enorme fogueira: um acto hipnótico, ao mesmo tempo voraz e criador, que se renova constantemente e dá vontade de voltar a aquecer as mãos nas suas labaredas, isto é, de carregarmos outra vez no play ou de vê-los transpor para os palcos a criatividade capturada em estúdio.
O baixo está ainda maior do que o défice dos PIGS; as baterias soam mesmo como duas gémeas siamesas, unidas nos despiques rítmicos e nos silêncios; e as teclas produzem efeitos especiais que causam reacções em cadeia. Replicam-se também algumas frases (poucas, mas que por vezes dizem muito, como em “Ouve Só” ou num “Malhão” que dança ao sabor dum jogo de desejo e sedução) além dos característicos cânticos. “Tronco Nu” – a última faixa – composta por ritmo, melodia e densidade nas medidas certas, sobreposição de palavras e coros, serve bem de súmula ao que se ouviu atrás. Dos teclados incandescentes de “Ouve Só” à trovoada que martela a cabeça em “Ocre”, há espaço para ambientes entre o psicadélico e o free – "Descruzada" – e músicas (como “Muito Mais Gente”) que ora nos mostram paisagens abertas e luminosas ora nos transportam para horizontes estreitos e sombrios.
Se é nos concertos, sem rede nem truques, que as bandas provam o que valem a sério, tal aplica-se a dobrar (pelo menos) aos PAUS – será ao vivo que este fogo mais crescerá, para chamuscar os ouvidos, numa constante reinvenção sonora. Se eles perguntam «O que queres que diga que estes tambores não digam já?», podemos responder de uma forma tão simples como sincera: o que queremos ouvir é o que estas músicas nos fazem sentir.
Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ao Vivo: PAUS @ Lux

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No início do mês os PAUS anunciavam no seu facebook que já sabiam tocar mais de metade do disco novo. E o Lux seria o local indicado para comprovar o progresso dos últimos ensaios, festejando a aguardada edição do homónimo LP de estreia, sucessor dum EP que agitou águas e cinturas. A longa fila formada antes de as portas da discoteca de Santa Apolónia se abrirem reflectia o entusiasmo hoje existente em redor da banda da “bateria siamesa”, que aos sacos e t-shirts juntou um mikado como original objecto de merchandise.
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Link para o artigo integral, publicado originalmente no Bodyspace.

domingo, 25 de setembro de 2011

PAUS - crescer em palco para gravar no estúdio

É um dos nossos discos mais esperados do ano, por isso é com especial prazer que avançamos alguns pormenores sobre o LP de estreia dos PAUS pela boca dum dos seus criadores. Hélio Morais, um dos “bateristas siameses”, fala-nos duma evolução proporcionada pela rodagem de palco (em especial nas memoráveis sessões “Só Desta Vez”, que tiveram lugar no Lux) e de certas mudanças no som da banda que teremos oportunidade de comprovar em breve. A palavra a Hélio Morais.
 
 © Tiago Pereira

Disseram numa entrevista que as músicas do LP de estreia são um pouco mais elaboradas, e por isso um pouco mais reais do que as do EP É Uma Água. Isto pode dever-se, em parte, à rodagem da banda ao vivo?

Com os concertos e em especial com o “Só Desta Vez”, aprendemos que há alguns espaços que devem ficar vazios. Quando fizemos o EP, não estávamos a pensar nisso, porque ainda não tínhamos tocado ao vivo. Estávamos de tal forma excitados com esta nova forma de fazer música (para nós) que íamos acrescentando todas as ideias que tínhamos, sem pensar que depois seria impossível tocar tudo aquilo ao vivo. Nesse sentido, este disco está mais real, como referes. Aprendemos igualmente a respeitar os espaços de cada instrumento, com o “Só Desta Vez”. Tivemos que alterar algumas coisas nas músicas, para não serem um atropelo constante e isso reflectiu-se naturalmente neste disco.

Pode dizer-se, então, que a série de concertos “Só Desta Vez” vos abriu horizontes que se reflectem neste álbum?

Sem dúvida. Passámos a prestar mais atenção ao detalhe. Às coisas pequenas. Deixámos que as músicas se comandassem a elas mesmas, em vez de deixarmos a nossa "tusa de mijo" falar por nós.

Existem algumas diferenças ao nível das vocalizações, por exemplo, com uma certa aproximação ao formato mais tradicional?

Essa era uma zona de conforto da qual queríamos sair. O EP é feito de vozes pós-hooliganistas e tem somente um apontamento com palavras. Aqui, queríamos dizer mais qualquer coisa, sem no entanto perder uma das coisas que define já o som de PAUS. Acho que conseguimos. Há músicas mais cantadas, outras menos, há músicas somente instrumentais, mas há essencialmente um aprofundamento da palavra na música de PAUS.
 
© Tiago Pereira

sábado, 24 de setembro de 2011

Bodyspace: Os 10 Lançamentos Mais Esperados Até ao Fim de 2011

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PAUS - Paus
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O longa-duração de estreia de PAUS é uma das edições mais aguardadas desta rentrée por várias razões. Desde logo porque o EP É Uma Água deixou muita gente de saliva na boca, pela originalidade de temas como “Lupiter Deacon” e pela forma como as composições foram crescendo ao vivo. Quem já viu actuações de PAUS (a sessão “Só Desta Vez” em que convidaram os DJs Riot – de Buraka Som Sistema – e Ride terá sido um dos grandes concertos de 2010) pode comprová-lo. E um dos factores que aguçam a curiosidade para este álbum prende-se com o que ficou escrito atrás: em que medida a rodagem de palco influenciou o som da banda da bateria siamesa, do baixo maior que o défice da Grécia e dos teclados que nos fazem sentir coisas? Pelas pistas lançadas – em temas como “Salsa Galáctica” ou “Deixa-me Ser” –, continuarão a aprofundar os pilares que fortificam o seu som, rara alquimia de ritmo, rock e electrónica; mas haverá lugar a novidades, tanto ao nível instrumental como das vocalizações. 
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Link para o artigo conjunto publicado originalmente no Bodyspace.
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Publicado também no P3 do Público, mais precisamente aqui.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PAUS @ Lux - 17/2/2011


Começando ao contrário, que esta foi a última vez; mas também a primeira. Se qualquer concerto se quer uma experiência única, estas datas em que os PAUS levaram convidados especiais ao Lux, foram irrepetíveis. Ontem os convidados foram Chris Common, baterista dos These Arms Are Snakes – anunciado atempadamente –, e a surpresa da noite: os Tocándar. Antes da banda da bateria siamesa subir ao palco, já os membros do grupo de percussão vindo da Marinha Grande estavam entre o palco e a plateia, fazendo ressoar os bombos de pele de cabra. Quando os PAUS entram em cena, acompanhados por Chris Common, entra-se numa renovada dimensão de intensidade, que cruza electrónica com electricidade, noise-rock e psicadelismo. O som é visceral, ao mesmo tempo cru e polido. Uma harmonia surpreendente que se entranha.
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Link para o artigo integral. Publicado originalmente no Bodyspace.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Entrevista: PAUS

Os PAUS encerraram na última Quinta-Feira o ciclo de concertos “Só Desta Vez”, em que partilharam o palco com vários special guests que os ajudaram a criar um trio de noites irrepetíveis. Minutos após a derradeira vez, falámos com Hélio Morais e Joaquim Albergaria no estacionamento do Lux. Encostados à carrinha da banda e com vista para o Tejo, reviu-se o presente e projectou-se o futuro próximo da banda.

Foi o último “Só Desta Vez”. Chegados ao fim deste ciclo o que sentem? Fica um certo vazio? 
Hélio Morais: Acho que é sentires que te propuseste a um projecto e o conseguiste realizar e te divertiste a realizá-lo e divertiste as pessoas também. Mas, sim, há bocado estava a olhar para as t-shirts e estava a pensar «é a ultima vez que vai haver t-shirts destas».

É uma sensação de realização…
Joaquim Albergaria: Sim, misturado com um certo alívio, porque este projecto obrigava-te a quase refazeres a banda a cada data. De repente metes um músico novo e tens que refazer as músicas todas.


Hoje tocaram com o Chris Common e os Tocándar. Como é que foi tocar com um baterista que é uma referência para vocês e que, 30 minutos depois do concerto terminar, continuava a transpirar?
Hélio Morais: Eu fartei-me de ouvir discos de These Arms Are Snakes, portanto até é esquisito; parece que já adivinhava quais eram os breaks que ele ia fazer a seguir. Tem uma pitada de estranheza mas depois habituas-te, deixa de ser o gajo que tu ouvias e passa a ser o amigo que está no estúdio contigo.

Joaquim Albergaria: a melhor comparação para tocar com o Chris é seres o único branco no chuveiro depois dum treino de basket da NBA. Tipo: vou fazer outra coisa… se calhar, roadie, roadie dele!

Em relação aos Tocándar, como é que vos surgiu a ideia de tocar com um projecto de percussão tradicional portuguesa e como chegaram ao contacto com eles?
Hélio Morais: No “Só Desta Vez” quisemos abordar em cada uma das sessões as três vertentes mais fortes de PAUS. Primeiro as guitarras, a vertente mais rock e também a harpa. Depois, na segunda, a parte mais electrónica com os djs; e a terceira teria que ser necessariamente pecussão. O Chris, curiosamente, acabou por ser decidido depois dos Tocándar. Na altura fizemos uma pesquisa de grupos como os Tocándar, e eu julgo que foi o Tiago Pereira (cineasta) que os sugeriu ao Quim.

Este projecto “Só Desta Vez” terminou, em termos de concertos. Os momentos irrepetíveis vão-se perpetuar de alguma forma?
Joaquim Albergaria: Os três concertos e todos os ensaios para os concertos estão gravados em vídeo, e os concertos estão gravados em áudio. Está na calha a edição dum documentário e há ideia de lançarmos isto em disco também. Vamos ouvir com calma o que fizemos, se está bom ou mau, e ver o que conseguimos fazer com aquilo. Mas é para imortalizar, para ter ali um Polaroid para nos lembramos disto.



O ciclo “Só Desta Vez” resultou muito bem. Ficaram com vontade de, no futuro, voltarem a fazer uma nova experiência do género?
Hélio Morais: Quando corre bem ficas sempre com vontade, mas se calhar faz mais sentido fechar aqui o ciclo. Agora é PAUS. Terminar a gravação do álbum…

Joaquim Albergaria: Temos um espectáculo de teatro no CCB com o André Teodósio, que vai começar no dia 29 de Março.

Existe data prevista para o lançamento do álbum?
Hélio e Quim: Depois do Verão.

Publicado originalmente no Bodyspace, mais precisamente aqui.

Ao Vivo: PAUS - Só Desta Vez @ Lux - 16/12/2010


Comecemos pelo fim, como num romance surrealista. Alguns minutos depois de ter acordado, com o espectáculo da véspera ainda bem presente, pensei: «Acho que sonhei que o (Mário) Cesariny estava no piso de cima a deixar a sua marca no placard da Delta Q», sponsor da série de concertos “Só Desta Vez”, em que os PAUS convidam amigos para actuações únicas. Será que este sonho aconteceu mesmo? Ou fui sugestionado pela carga onírica da performance? Ou pelo facto de me ter cruzado com o Mestre Júlio Pomar, nas escadas de acesso ao 1º andar da discoteca de Santa Apolónia, antes de o show começar?
Isso acaba por ter pouca importância para quem viu um dos (seus) concertos do ano – a propósito, será que o Bodyspace não arranja um cantinho para se fazer uma adenda aos meus momentos de 2010?

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Publicado originalmente no Bodyspace.