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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Cinco dedos de conversa sobre Aquelas Três

A Feromona deixou de ser um power trio desde que João Gil se juntou a Bernardo Barata e aos manos Diego e Marco Armés, mas não perdeu a pujança. Como que para o comprovar, foi já sob o formato de quarteto que lançaram o EP Aquelas Três (composto por outras tantas canções aguerridas) há um par de semanas. Continuando numa de números, apanhámos Diego Armés para cinco dedos de conversa, onde se fala um pouco deste recente trabalho e da opção em editar desde já um EP em vez de seguir a via clássica na sucessão ao álbum Desoliúde.
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“1991” já tinha saído na mix-tape de tributo ao Ruptura Explosiva, numa versão acústica a solo. Era um tema que estava a pedir a energia e electricidade do rock?
Sim. O que tinha feito era um esqueleto, um esboço na guitarra clássica, com a melodia de voz, tudo um pouco à pressa para responder ao convite urgente do Tiago Cavaco (aka Tiago Gillul, aka Tiago Lacrau). Logo que experimentámos tocar a canção em banda, na sala de ensaios, percebemos que estávamos perante uma necessidade óbvia: fazer uma homenagem rock ao Patrick Swayze.

A letra desta música tem referências explícitas aos Nirvana e a outros ícones dos anos 90. Até que ponto as influências dessa época continuam a ser fundadoras para vocês, enquanto pessoas, músicos e banda?
Estamos a falar da nossa adolescência tenra, daquela época decisiva no gosto de cada um em que, mesmo sem se saber como ou porquê, se tomam partidos e se definem gostos. Para mim, os Nirvana (e outros) foram e são incontornáveis, do mesmo modo que para o Bernardo os Red Hot (e outros) são “a cena” daquela altura. O meu irmão, por razões óbvias, partilha comigo muitos dos gostos. O João Gil também tem uns gostos muito aproximados no que se refere a essa época. Penso que nas nossas ideias estas personagens, estas bandas e estes sons talvez tenham ficado cristalizados como “aquilo que é fixe”. Eram os nossos ídolos. Por mais que os mates, não te consegues livrar deles. Nem nós queríamos isso, que gostamos muito deles todos, mortos ou vivos.

“Sábado à Tarde” é daquelas malhas que ficam associadas a uma cena que nunca passa de moda: um sábado à tarde será sempre um sábado à tarde, com tudo o que lhe podemos associar, não é?
O sábado à tarde é o monumento temporal ao tédio. É aquele período curto mas lânguido que está depois de tudo o que havia para fazer por obrigação e antes de tudo o resto que vamos fazer porque gostamos mesmo, até às tantas da madrugada. É um impasse sem ralação de qualquer espécie. É estar à varanda a apanhar sol sem o menor sentimento de culpa. Ou então é arrumar a casa e ouvir música. A única coisa que não se pode fazer a um sábado à tarde é deturpar-lhe o espírito, dando-lhe seriedade ou sentido de obrigação. Diria que o sábado à tarde é aquele momento anarco-hippie da semana – e não importa a tua ideologia, filosofia ou religião: vais usufruir dele e deleitar-te, sejas tu conservador católico ou marxista-leninista.

“Ché Guevara Eunuco” acaba por ser, d´Aquelas Três, a música com toada mais lenta e menos radiosa: como que para acentuar que “quando é preciso erguer a voz alto e bom som / a garra perde para o torpor”?
Nunca pensei nisso. Ou, melhor: a relação entre letra e música é, para mim e no que escrevo, simbiótica. Ou seja, elas devem estar lá uma para a outra, em função uma da outra, puxando uma pela outra. Portanto, existe uma procura pela relação ideal, que não seja descompensada ou desequilibrada ou desajustada ou inadequada. Mas o que queria dizer é que não arrastámos a música para acentuar isto ou aquilo. Ela foi acontecendo assim até ficar neste ponto, que é o que considerámos ideal. Com força, mas também com contenção.

Já tinhas abordado esta questão, mas gostava de saber se o lançamento do EP surge mais como concretização duma oportunidade ou sinal dos tempos que a música atravessa, em termos da sua produção e consumo?
É um pouco de ambos, se bem que é mais da primeira: a oportunidade surgiu e não a desperdiçámos. Por outro lado, também sabemos que o consumo da música está cada vez mais distante da noção de “álbum”: o conjunto de canções foi preterido, agora prefere-se uma ou duas músicas de um disco e o resto deixa-se de lado para não gastar megas ao áipode. Então, se só precisam de duas ou três canções, aqui têm Aquelas Três. Daqui a uns meses haverá mais.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A Feromona lança Aquelas Três

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Aquelas Três dão pelo nome de "Sábado à Tarde", "1991" e "Ché Guevara Eunuco"; e formam o novo EP da banda dos manos Armés (Diego e Marco), Bernardo Barata e João Gil. Após o LP Desoliúde, de 2010, qual a razão para publicarem um EP, perguntarão alguns; Diego Armés, o frontman, começa por dizer que "Optámos por editar aquelas três porque fazer um disco é um processo muito injusto. Perdes dois anos da tua vida a elaborar um objecto que depois só vai ser conhecido superficialmente. Como tínhamos estas prontas e surgiu a oportunidade para gravarmos numa altura em que estávamos parados, decidimos avançar para ver o que acontecia". E prossegue o raciocínio com uma ideia que espelha o ar dos tempos: "O disco é um objecto de colecção. Se calhar faz mais sentido ao fim de três EPs e um single ou dois fazeres uma recolha, uma antologia, que defina um período. Assim, quem o quiser coleccionar, arrumadinho e completo, terá a sua oportunidade. Hoje em dia acho que faz mais sentido editar mais vezes, menos músicas de cada vez, até porque as bandas são consumidas a alta velocidade". Para consumir a alta velocidade (mas repetidamente) são Aquelas Três, já disponíveis, de forma graciosa, no bandcamp e na soundcloud da Feromona. 
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Publicado originalmente no Bodyspace, aqui mais concretamente.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Um belo par de chifres

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Já tínhamos dado nota da festa comemorativa do segundo aniversário da editora Chifre, que tem lugar amanhã no Ritz Clube, com concertos (David Pires, Diego Armés, Anarchicks, TV Rural e Capitão Fausto) e DJs da Rádio Radar e da Vodafone.fm. Agora fazemos um trocadilho irresistível e mostramos o vídeo promocional do evento. Aproveitamos também para informar que na festa estará disponível um disco recuerdo da Festa Chifre, edição especial, em jeito de versão abreviada dos concertos da noite. O preço? É à vontade do freguês, a partir de 1 euro. A entrada para a noite festiva custa € 10,00, sendo que a totalidade dos lucros será investida em novas edições, videoclips, apoio às bandas, etc, permitindo à Chifre continuar a ser uma editora independente na mais genuína acepção da palavra.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Vodafone Mexefest do Porto já tem o cartaz fechado

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Dito isto, vamos por partes.
Em primeiro lugar, os nomes que hoje foram confirmados para ajudarem a colocar a movida da Invicta ao rubro entre 2 e 3 de Março: Twin Shadow, Niki & The Dove, The Dø, Emika, Dillon, King Krule, Norberto Lobo, Lacraus, Diego Armés, Portable, Makam, Peak & Swift, Russian Red, Muchachito Y El Trio Infierno, Dani Black, Norton, David Pires, Alto!, The Underdogs, Social Disco Club, Rui Murka, 1ª Linha Soundsystem, André Cascais, Freshkitos, Nuno Forte e Rui Trintaeum.
Tal como aconteceu no passado mês de Dezembro em Lisboa, a música rolará em simultâneo no Porto durante duas noites seguidas, em concertos espalhados por diversas salas emblemáticas ou palcos mais ou menos imprevistos, como a Garagem Vodafone FM, o Coliseu do Porto, o Cinema Passos Manuel, o Teatro Sá da Bandeira, a Sala Super Bock Super Rock (Maus Hábitos), a loja Fnac Santa Catarina, o Pitch Club e o Ateneu Comercial do Porto.
Os outros artistas (anteriormente anunciados) que completam o festival Vodafone Mexefest do Porto são Cass McCombs, Best Youth, Capitão Fausto, Beatbombers, Fink, Foals (DJ Set), Hanni El Khatib, Josh Rouse, Ladrões do Tempo, St. Vincent, Tiger & Woods, Supernada, The Glockenwise e Salto. Saltam, então – não dez, não vinte, não trinta… – QUARENTA (!!) nomes para escolher e planear um fim-de-semana de sonho para qualquer melómano que se preze.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

As melhores canções de 2011

1 - B Fachada: "Deus, Pátria e Família"
Se toda a gente já teve, tem ou ainda vai ter o momento em que passa de hater a lover do universo musical muito particular de B Fachada, esta terá sido a minha epifania; o momento em que a cena bateu e pensei estar perante um talento e não uma fraude. Algo como: «Eh pá! É melhor parar de gozar com este gajo e passar a escutar o que ele faz». E o que B Fachada canta neste disco de Verão quente tem todos os ingredientes que compõem uma grande canção. Em vinte minutos há galinhas a cacarejar e piano a esvoaçar, voz que canta idiossincrasias pátrias e íntimas sob uma melodia entre o ululante e o libertário. Há, sobretudo, uma canção que acerta no centro dum alvo em movimento, sem floreados nem concessões.

2 - PJ Harvey: "Written On The Forehead"
Esta é uma das canções que fizeram de Let England Shake um dos melhores discos de 2011. A toada lânguida de “Written On The Forehead” e as palavras melodiosas mas incendiárias de Polly Jean Harvey são reforçadas pelo sample de “Blood And Fire” – clássico reggae de Niney “The Observer”. O “Let it burn, let it burn, let it burn, burn, burn…” que atravessa a faixa como uma espécie de mantra (vindo da gravação original ou dos lábios de PJ) continua a ecoar nos ouvidos muito depois de a música terminar. É deixar arder, talvez a cura chegue entretanto.

3 - Panda Bear: "Benfica"
Tomboy termina em apoteose desportiva, com uma faixa dedicada ao Glorioso. Nela canta-se o valor da vitória e ouvem-se os adeptos, puxando pela equipa em uníssono, numa imensa onda que varre as bancadas de lés-a-lés. Sente-se a ambição pela vitória, inscrita nos genes do Clube. Se passasse no Estádio da Luz em dias de jogo, este hino funcionaria certamente como talismã para o Benfica – dando descanso aos UHF, por exemplo – e seria ouvido por dezenas de milhares de almas em êxtase simultâneo. Assim, permanecerá como um tesouro acessível a quem ouvir o registo de estúdio ou se deslocar aos concertos deste ilustre lisboeta, o que lhe reserva um charme mais discreto.

4 - James Blake: "Limit To Your Love"
Numa era em que a tecnologia democratiza a criação musical (e a respectiva difusão) multiplicam-se covers/versões de tudo e mais alguma coisa, mas as que merecem uma mera audição já são poucas. Raras mesmo são as pérolas que brilham de tal forma que ofuscam o original. É o que aconteceu com a música que tornou James Blake um dos meninos queridos do ano passado. Ao pegar na balada da canadiana Feist, despindo-a ao essencial – piano, voz e electrónica suave –, criou um clássico contemporâneo. Tal como aconteceu com “Hurt”, de Nine Inch Nails, após a interpretação de Johnny Cash, esta música agora (também) é de James Blake.

5 - PAUS: "Malhão"
Existem outras faixas igualmente boas no primeiro longa-duração de PAUS, outras músicas que cruzam como poucas bandas conseguem fazer balanço com intensidade e batida com electricidade. Mas nenhuma delas tem um refrão que dá vontade de repetir ao ouvido duma miúda gira que nos dê trela às tantas da manhã: “Mordi-te antes que / Antes que me mordesses tu / Despi-te com medo que / Com medo que me visses nu” é algo tão belo e afrodisíaco que deveria andar sempre na nossa carteira, ao lado das embalagens “Durex”.

6 - Tom Waits: "Hell Broke Luce"
A toada é militar mas Tom Waits é tudo menos ortodoxo – aquilo em que este alquimista da música toca transforma-se em lingotes de ouro clandestino. Neste caso derrete uma batida diabólica que faz lembrar a chegada das tropas inimigas e ergue a barricada sonora com que se defende das bombas disparadas pela guitarra eléctrica. Quase que o podemos visualizar nas trincheiras, de capacete e uniforme – mas com o chapéu e o fato debaixo do braço –, à espera de escapar para junto do piano quando o Inferno conceder uma trégua ao seu exército.

7 - Diego Armés: "Entre Dentes"
Neste quadro poético dos afectos e dos encantamentos, um estado de graça flui entre as cordas, o acordeão e a voz, criando uma espécie de pacto secreto selado pelas palavras, enigmáticas mas que dão sentido e força a tudo o resto, saindo da boca de Diego Armés para arrepiarem os ouvintes como uma tarde fria de Outono. Primeiro insinuando-se aos sentidos, numa toada lenta e envolvente, depois embalando os enganos num ritmo que ora avança ora se detém. Uma canção misteriosa numa estreia a solo que não engana.

8 - Halloween: "Drunfos"
A Árvore Kriminal está cheia de rimas tão brutais como um ataque terrorista e eficazes como um remate de pé esquerdo do Cardozo; mas nenhuma será tão plástica, tão moldável quanto o «Hoje vou sair, vou rolar / Vou dizer a todas as miúdas “Olá!”». Experimentem adaptá-la a outras situações e perceberão que estes drunfos um dia podem estar disponíveis em saquetas numa qualquer farmácia, de forma perfeitamente legal, sob a forma de genéricos para aliviar as dores de costas. Porque o produto original (a real thing) é de Allen Halloween, e é pouco provável que ele ceda a patente de mão beijada.

9 - Buraka Som Sistema: "(We Stay) Up All Night"
Se o “Benfica” do Panda Bear é o hino para a Catedral Sagrada, este é o salmo dos templos profanos de prazer, luxúria e abandono. Para agitar a pista enquanto se lava a vista; transpirar como se tivéssemos corrido quilómetros ao som dum sistema cada vez mais oleado e ao qual sobra inspiração. Se organizarem uma festa e o ambiente estiver a arrefecer, sempre podem experimentar meter esta malha a bombar no máximo. O mais certo é conseguirem o efeito desejado; mas se a cena não ressuscitar, caguem e vão à procura dum sítio onde ainda não esteja tudo morto e acabado.

10 - Rebecca Black: "Friday"
Escolhi esta como poderia fechar com a “Morena Kuduro” ou a “Ai, Se Eu Te Pego” – ambas na voz de José Malhoa, claro –, ou qualquer outro êxito sem pés nem cabeça, cuja razão de ser é a paródia. Os minutos de risota proporcionados por músicas que geram videoclips absurdos e justificam como o mais perfeito dos álibis danças bizarras são priceless. E o que não tem preço é muito valioso numa altura em que o custo de vida anda pela hora da morte. Escolhi a “Friday” porque foi esta que o Paulo Cecílio passou nas Festas do Bodyspace, em performances que já pertencem ao imaginário colectivo. p.s. – mas se ele tivesse passado a “Paradise”, ou outra qualquer de Coldplay, não havia abébias para ninguém. Até o mau gosto tem limites.
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Artigo colectivo publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui. Ver também parte do artigo no P3 do Público.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Disco: Diego Armés - Canções Para Senhoras

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Os rockers também sentem.

Estamos perante uma estreia a solo, mas não se trata dum caloiro. O Diego Armés que nos apresenta estas Canções Para Senhoras é o mesmo que canta, toca guitarra e compõe em Feromona. Mas se nesta banda é guiado pela pujança do roquenderole, aqui conduz-nos por um universo íntimo, arriscando enveredar por temáticas mais sentimentais (sem serem lamechas) ou românticas, nem sempre alegres ou soalheiras.
O que Diego canta numa das faixas, intitulada “Canção Sentimental”, permitirá compreender o que está na génese da sua estreia a solo: «Tentei ser diferente / Não fazer canções sentimentais / Só letras pujantes / Que abordassem temas capitais / Mas ficava tanto por contar / Das coisas que eu junto devagar (…) / Tentei fazer rock mas só me sai poesia». É também dos temas em que mais se expõe, confessando: «Quebrei regras minhas para criar / Uma canção sobre o que é gostar / Das festas, dos toques, da fusão dos corpos / Da voz e do odor / Que eu provo em silêncio quando estamos mornos / Depois duma dança de amor». A relevância atribuída às palavras, já bastante forte em Feromona, ganha aqui outro peso – Diego Armés dá-lhes a volta, para seduzir ouvintes com cortesia, elegância, charme –, impondo que as convoquemos em algumas ocasiões. Na verdade, num disco acústico (voz, guitarra, piano, violoncelo, percussões, melódica e acordeão) e moldado sobre formas simples e delicadas, o que sobressai é, sobretudo, o cuidado e a qualidade aplicados nas composições e arranjos.
O álbum abre com “Tanto Faz”, introduzido pelo piano de João Gil (o membro de Diabo na Cruz e You Can’t Win, Charlie Brown também toca guitarra em Feromona), depois acompanhado pelas cordas e voz. Por vezes o timbre de Diego Armés poderá fazer lembrar um pouco Jorge Palma – especialmente nesta música e em “Amor e Violência”, com que fecha o trabalho –, mas estamos perante uma voz e uma poética originais. Em "Tanto Faz" canta, bem a propósito: «Pesco as palavras com uma linha e um anzol / Tem dias bons que as bichas mordem menos mal / E às vezes caço com uma lupa num jornal / Termos que ainda não constavam do meu rol».
Entre os dez temas “oficiais” encontramos mais de meia dúzia de gemas preciosas que ficariam bem alinhadas na colecção de alguma senhora endinheirada. Aquelas de que se falou atrás, e outras: reflectidas, por exemplo, no ambiente melodramático criado em “O Fim da História”, na “Mitologia Passional” (tensa como uma corda muito esticada e que pode partir a qualquer instante), na anarquia literária da arrepiante “Entre Dentes” ou no desalento sentido em ”A Cadeira”. Mas é melhor que jóias deste quilate estejam no domínio público para brilharem em liberdade e aos ouvidos de todos.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Entrevista: Diego Armés

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Canções sentimentais na coroa do rock
Diego Armés começou a tornar-se conhecido do público através dos Feromona, mui recomendável banda que faz do roquenderole a sua bíblia; agora apresenta-se num projecto musical a solo de cariz diferente, mais íntimo e pessoal, cujo disco de estreia está quase a chegar às lojas. As palavras escritas e cantadas (já importantes na banda da qual é frontman, por vezes de tronco nu) vestem-se de outra importância, assumem o protagonismo em canções delicadas – para senhoras, como vem no título do disco – e que não têm medo do ridículo, ou seja, de serem sentimentais, românticas (numa perspectiva luminosa ou sombria), apaixonadas ou melancólicas. Foi sobre os pormenores desta nova pele que está a crescer (mas também de outros assuntos relevantes, como o benfiquismo militante de Diego) que se falou durante um pequeno périplo por sítios que lhe são queridos, todos eles em Alfama, o mais antigo e um dos mais típicos e fascinantes bairros lisboetas.
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Link para a entrevista integral, publicada originalmente no Bodyspace.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Telediscos Para Senhoras

O frontman dos Feromona está prestes a estrear-se com um disco a solo. Canções Para Senhoras deverá chegar às lojas durante o próximo mês de Novembro, mas já existem dois telediscos (um experimental, outro oficial) que alimentam a curiosidade sobre o que aí vem. Melhor do que descrever os vídeos é deixar o próprio Diego Armés falar um pouco sobre os mesmos e levantar a ponta do véu sobre o álbum.
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«O primeiro vídeo, “O Fim da História”, é um exercício do Francisco Santos Silva, da Chifre, que, cansado de ver no YouTube aqueles vídeos em que umas letras manhosas se sobrepõem a uma imagem estática – porque são feitos por malta que gosta das canções mas que não tem como realizar um vídeo em condições –, decidiu pegar num filme já muito antigo e editar uma série de sequências de maneira a encaixá-las na música. Pessoalmente, acho que o resultado foi extraordinário. As imagens são super elegantes, aquele registo antigo é cheio de charme e tudo isso tem a ver com o tema fundamental do disco: a mulher ou o mundo e a mulher ou eu num mundo que contém mulheres.»
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«O teledisco da canção-single, “Canção Sentimental”, foi uma coisa mais séria, muito mais séria. Reunindo pessoas cheias de boa-vontade, muita criatividade e algum material, conseguiu-se chegar a um resultado que me orgulha muito. Uma vez mais, há charme feminino, há pose, há glamour. A realização é do Filipe Fernandes, numa produção dos Picos Gémeos e da Chifre. Pudemos contar ainda com a generosidade do Hotel Grande Real Villa Itália, em Cascais, que nos deixou ocupar uma suite presidencial onde todo o vídeo foi filmado – isto durante um dia inteiro (e com direito a refeições para toda a equipa). O que mais me impressiona neste vídeo é o facto de ter sido feito sem dinheiro, só com dedicação e amizade, e de ter resultado num produto final com um aspecto tão sério. Estou muito grato a todos os que participaram nele.»
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Feromona @ Clube Ferroviário - 27/1/2011

«Esperem só um bocadinho, que tenho as mãos geladas» - introduz Diego Armés antes de cortar a direito com “Bisturi”. Apesar da noite fresca, o vocalista da banda lisboeta tira o casaco de cabedal após aquecer com uns tragos de “Vodka”, e logo começam as trocas de mimos entre os manos que ocupam a frente e o fundo da Sala TGV. Sempre com Bernardo Barata a pôr achas na fogueira.
Pazes feitas, a seguir à “Conversa de Cama” o baixista arrisca uma piada que mete José Hermano Saraiva ao barulho; e Diego devolve, bem a propósito: «Um dia vou deixar de te ouvir». A Feromona é assim, profissional mas despretenciosa. E cada concerto reserva uma química invulgar, na qual o guitarrista João Gil, embora com uma postura reservada (que contrasta com a atitude dos colegas), ocupa um papel relevante.
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Link para o artigo integral. Publicado originalmente no Bodyspace.
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