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terça-feira, 3 de abril de 2012

Discos Perdidos para descobrir no Music Box

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Discos Perdidos, realizado por Frederico Parreira, é um documentário protagonizado pelo jornalista Rui Miguel Abreu e por DJ Ride, metade dos Beatbombers, dupla campeã mundial de scratch/turntablism . Espécie de relato íntimo de uma viagem de procura de vinil – de Lisboa até Elvas, daí até Sevilha e Madrid e de volta até às Caldas da Rainha –, fala de discos perdidos, e de discos encontrados, como não podia deixar de ser, uma vez que conta com a presença destes diggers inveterados e ainda com ilustres cameos de Stereossauro e Motown Junkie. RMA define-o assim: «É um road movie. Tem mistério, suspense, muito pouca acção e algum romance.»

Discos Perdidos combina fotografia com vídeo lo-fi (procurando ser o olhar sobre o ombro do digger, para captar a concentração profunda de quem deixa os dedos percorrer toneladas de vinil) e tem estreia marcada para o Music Box, por volta das 23 horas da próxima 6ª-feira, 6 de Abril - data da 7ª sessão Rock It, que traz Taylor McFerrin ao Cais do Sodré. Tal como o amor pela música, a busca retratada neste filme nunca termina, só se intensifica. E estes são os melhores romances de todos.

O teaser pode ser visto aqui.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Revolução Vai Ser Amplificada


O dia 12 de Março foi palco da maior manifestação da minha geração. Abril e Maio são meses com datas marcantes, no panorama nacional (hoje comemora-se a Revolução dos Cravos, embora este ano não haja as habituais comemorações oficiais na Assembleia da República, porque o Parlamento está dissolvido…) e internacional: o 1º de Maio é sinónimo de Dia do Trabalhador desde finais do Século XIX. 

O que é que isto tem a ver com música, perguntarão alguns. Bastante, até. A música não serve apenas para bater o pé, entreter e engatar – embora estas facetas já lhe conferissem um papel mais importante do que todos aqueles que Tozé Martinho desempenhou na carreira de actor, com ou sem pullover amarelo pelas costas. A música também alimenta a alma de inquietações e atira constantemente achas para a fogueira das transformações sociais e políticas dos povos e nações. Dos Clash a Gil Scott-Heron, do Hip Hop ao Reggae, passando pelo Jazz, sempre houve músicos que não se limitaram a romper com cânones estéticos e partilharam princípios éticos, mesmo que com isso arriscassem pagar a factura do activismo desalinhado, sendo por vezes detidos pelo sistema que ousaram afrontar. O livro 33 Revolutions Per Minute – A History of Protest Songs, de Dorian Lynskey, está aí para o atestar. 

Por isso é que ao "nosso" 25 de Abril se associam as composições de Zeca Afonso ou José Mário Branco; e que a manifestação de 12 de Março foi bastante inspirada (custe a quem custar…) por uma música. A mani-festa acabou por ter uma banda-sonora transversal, à imagem do povo que tomou a rua por um dia: as presenças de Blasted Mechanism, Vitorino, Homens da Luta, Fernando Tordo, Kumpania Algazarra e Rui Veloso cruzaram estilos e fizeram a ponte entre gerações descontentes com o status quo. Entre os dias 25 de Abril e 1 de Maio, a Casa da Música, no Porto, programa o Festival Música & Revolução, onde se inclui a actuação de Ursula Oppens, que tocará ao piano uma peça composta a partir de "O Povo Unido Jamais Será Vencido!", criada pelo chileno Sergio Ortega para o tempo de Salvador Allende e que viria a transformar-se num hino de revoluções um pouco por todo o globo, incluindo no nosso cantinho à beira-mar plantado. 

Afinal de contas, isto anda tudo ligado por harmonias destinadas a causar sobressaltos nas consciências mais ou menos adormecidas. O Bodyspace foi saber o que oito ilustres (músicos ou ligados à nossa paixão a esta arte) pensam sobre o papel da música nas transformações sociais e políticas, onde é que estavam no dia 12 de Março e que opinião têm sobre esse dia que acabou por ser replicado, ainda que em menor escala, na vizinha Espanha. 

In the end I think of music as saving grace for all humanity — Henry Miller.
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Link para o artigo completo, incluindo as entrevistas com Adolfo Luxúria Canibal, Cristina Branco, Diego Armés, Jel e Falâncio - Homens da Luta -, Guitshu, Ikonoklasta, Pedro Mateus - X-Acto, Rui Miguel Abreu e Vitorino.

Publicado originalmente no Bodyspace.