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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Entrevista - Diabo na Cruz

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Diabo a sete
No ano da graça de 2012, os Diabo Na Cruz surgem com “Sete Preces” (o primeiro single) e outros tantos elementos: B Fachada ainda participou nas sessões de Roque Popular, gravado pelo núcleo duro composto por Jorge Cruz, João Gil, Bernardo Barata, Manuel e João Pinheiro, mas já não acompanha o grupo ao vivo. À sua saída corresponderam as entradas dos portuenses Márcio Silva e Sérgio Pires. E o sete, ao que parece, está a funcionar como um sinal de boa fortuna. Pelo menos é isso que decorre das audições do sucessor de Virou! e da confirmação que se concretiza no palco. Em estúdio e ao vivo voltam a afirmar-se como os genuínos jograis do roque popular, aprofundando o contraste entre o novo e o velho, numa fervilhante sopa da pedra onde apenas não há lugar para o preconceito. Jorge Cruz fala de tudo isto e de muito mais – como agricultura ou jams pimba –, sem se furtar a debater tópicos mais incómodos, sempre com observações acutilantes. Não é só o Nel Monteiro que tem mais tomates que o hardcore da Linha de Sintra.
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Link para a entrevista integral, publicada originalmente no Bodyspace.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Diabo Na Cruz @ Ritz Clube

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A dada altura do concerto, Jorge Cruz propõe uma espécie de sondagem à plateia, para saber quantos dos presentes já conheciam o Ritz Clube, que esteve uma boa dúzia de anos de portas encerradas por questões que não são para aqui chamadas. Como é natural, predominam os que pisavam pela primeira vez a histórica sala. Quando o Maxime encerrou, em Janeiro do ano passado, Victor Gomes (frontman dos seminais Gatos Negros) realçou que uma parte de Lisboa morre com o encerramento de casas como o Ritz ou o vizinho Maxime. Por isso, foi com emoção e expectativa que ontem me dirigi ao nº 57 da Rua da Glória, que continua a ter a companhia de bares como o Piri-Piri ou o Chuly Bar, embora sem o facelift nem o mega-hype (damos Graças a Nosso Senhor!) que transformou o Cais do Sodré numa espécie de Bairro Alto super-trendy, onde é possível encontrar turistas de meia-idade, tias de Cascais e lendas do desporto-rei que é o futebol. O Ritz ainda cheira a novo, mas a mística continua espalhada pela sua escadaria e nas galerias. 
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Diabo na Cruz - Roque Popular

Cantigas de amigo com nervo rock

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SINOS TOCAM A REBATE

«Vinde todos a terreiro! Vinde já ouvir o novel tomo dos mais celebrados jograis do roque lusitano. Bernardo Barata, B Fachada, João Gil, João Pinheiro e Jorge Cruz voltaram a congregar esforços e inspiração. Entraram no estúdio com os seus instrumentos musicais e de lá saíram com uma dezena de novas cantigas. Criações que, na companhia das cantigas de Virou!, cruzarão Portugal (de Trás-os-Montes aos Algarves, do interior profundo ao litoral que viu partir os nossos navegadores) e, quiçá, as sete partidas deste mundo. E prometem fazer rodopiar as saias das donzelas mais formosas e abanar as cabeças de nobres e plebeus. Entrai na dança, siga a rusga, minha gente!!»

Esta tentativa (falhada) de intro em linguagem mais ou menos antiga serve apenas para vincar que raras vezes o rock cantado na língua de Camões terá estado tão próximo das raízes musicais portuguesas e do nosso imaginário colectivo. O génio de António Variações, bem o sabemos, uniu o Minho a Nova Iorque em composições inesquecíveis, mas fê-lo com uma sensibilidade muito mais pop. É fascinante como a energia do rock e a urgência do punk casam na perfeição com os ritmos tradicionais, as expressões populares – como “não morremos hoje nem casamos amanhã” –, os sons de foguetes e o chamamento do amolador. Tudo isto se encontra bem presente em Roque Popular, começando na garra destilada em "Bomba-Canção" ou "Baile na Eira" (as duas primeiras do disco e excelentes cartões-de-visita: tic-tac incendiário como um cocktail molotov e pogo dance para malhar no terreiro sem dó nem piedade) e desaguando na ilustração que Nuno Saraiva fez para a capa do disco. Bem ao centro da acção, uma figura remete-nos para a vertigem de London Calling (Paul Simonon a partir o seu baixo em pleno concerto) e para uma das mais icónicas imagens do punk, fazendo a síntese e a ponte entre os dois universos, num caso sério de alquimia inesperada: estamos na presença de música urbana feita com o pés bem assentes na nossa terra e com potência suficiente para abrir fendas profundas no solo mais resistente.

Mas este Roque Popular não é feito apenas de paisagens trepidantes; os seus horizontes são abertos, vastos como as planícies alentejanas. Nele cabem momentos mais calmos, como a melancólica "Luzia" ou "Fronteira" (referência explícita à emigração, que tem sido a senha e solução de vida para muitos portugueses nos últimos tempos – o que acaba, aliás, por retomar um certo fado lusitano a que se costuma chamar diáspora) ou radio friendly, como o single "Sete Preces", que já anda a rodar por aí. Se o som do amolador costuma anunciar chuva, no final da funky "Estrela da Serra" antecede o surgimento dos "Pioneiros", esquadrão de elite que persiste em desbravar sem receio terrenos desconhecidos, «sempre prontos a agarrar o mundo inteiro». "Chegaram os Santos" arrisca um ska bem dançável e que se poderá tornar um caso sério de diversão, tendo todos os elementos necessários para ser um hino festivo-casamenteiro já no inicio do próximo Verão - à atenção das comissões organizadoras dos arraiais populares… e não cobro um cêntimo pela dica. E "Siga a Rusga", num portento de ritmo, antes de se escrever o “Memorial dos Impotentes”, espécie de epitáfio agridoce inscrito sobre este Roque Popular.

O grande equilíbrio (entre momentos para acelerar por aí fora e repousar o corpo e a cabeça, músicas para pintar a manta e refrões cantaroláveis) é um dos pontos fortes deste disco. O palavrão que me ocorre para o classificar é Música Moderna Popular Portuguesa, com a energia do (punk) rock a lavrar bem fundo nas nossas raízes. Melhor ou pior do que o seu antecessor, Virou!? Essa poderá ser uma questão debatida ad nauseam, uma vez que se tratam de duas obras excepcionais, mas uma coisa parece certa e segura: Roque Popular pega no ponto em que os cinco rapazes tinham chegado no disco de estreia e dá passos em frente. E mesmo com este risco acrescido, pisa caminhos que o deverão levar a ouvidos muito variados, tornando Diabo na Cruz um nome familiar a bastante mais gente.
Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Calor e Moscas: uma tragicomédia musical em antestreia

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Não é todos os dias que estreia uma “tragicomédia musical” portuguesa no cinema. Nem que o lendário Victor Gomes (“o mais Negro dos Gatos”) aparece no grande ecrã. É isto (e muito mais) que acontece em Calor e Moscas, filme 100% independente, cuja sinopse tomamos a liberdade de colar aqui:
"1986: Mateus, um musico prodígio de 12 anos, é escolhido para representar Portugal num conceitado concurso de música infantil na Europa, o Barca d'Ouro. Apesar das grandes expectativas que o País tinha em Mateus, ele desilude tudo e todos ao conseguir apenas o segundo lugar. Portugal entra assim na C.E.E. com o pé esquerdo e a carreira de Mateus que só estava a começar entra em queda...
Vinte anos mais tarde, Mateus, agora um vendedor de seguros, apreciador de cannabis e viciado em comprimidos, continua a tocar e a gravar maquetes escondido no seu quarto. Um dia decide enviar uma maquete ao seu ídolo e meses depois descobre que este a roubou. Mateus vai para as ruas em busca de justiça, juntando-se-lhe nessa aventura o seu melhor amigo, Celeste, um músico de rua, viciado em comida de cão...”
Tudo aponta, pois, para um delírio cinematográfico imperdível (cuja antestreia terá lugar na próxima quarta-feira, dia 14, pelas 20:30, no Cineclube de Telheiras – Estrada de Telheiras, nº 114), para mais tendo em conta as várias participações de músicos, como Jorge Cruz (Diabo na Cruz), Fernando Cunha (Delfins; Resistência) ou Gonçalo Prazeres (Freddy Locks), e a banda-sonora, que inclui temas de
Black Bombaim, The Ratazanas, Freddy Locks, Samuel Úria, Phil Mendrix, Daniel Bacelar, Brainwashed by Amalia, entre outros.
Resta acrescentar que o trailer promete. E não é pouco.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.