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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Tops Individuais Discos 2012 - Bodyspace

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  1. Neneh Cherry & The Thing – The Cherry Thing
  2. Black Bombaim – Titans
  3. Diabo Na Cruz – Roque Popular
  4. B Fachada – Criôlo
  5. Cody ChesnuTT – Landing on a Hundred
  6. Godspeed You! Black Emperor – Allelujah! Don't Bend! Ascend!
  7. Propagandhi - Failed States
  8. The Men – Open Your Heart
  9. Pega Monstro - Pega Monstro
  10. Mark Lanegan – Blues Funeral
  11. Van Dyke Parks – Discover America
  12. Tame Impala – Lonerism
  13. Gala Drop & Ben Chasny– Broda
  14. Norberto Lobo – Mel Azul
  15. Frank Ocean - Channel Orange
  16. Death Grips - The Money Store
  17. Bobby Womack - The Bravest Man In The Universe
  18. Orelha Negra - Orelha Negra
  19. Cat Power – Sun
  20. Animal Collective – Centipede Hz
  21. Flying Lotus – Until the Quiet Comes
  22. DJ Ride – Life in Loops
  23. Leonard Cohen - Old Ideas
  24. Converge – All We Love We Leave Behind
  25. Bro-X – Beyonce
  26. Clockwork Boys – A Dor Passa… o Ódio Fica
  27. Jack White - Blunderbuss
  28. Bruce Springsteen: Wrecking Ball
  29. Deftones - Koi No Yokan
  30. Neil Young & Crazy Horse - Psychedelic Pill
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Link para o artigo colectivo, publicado originalmente no Bodyspace.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

As Melhores Canções de 2012 - Bodyspace

1: "Bomba Canção" - Diabo na Cruz
Folk moda punk de cortar a respiração e levantar os pés pelos colarinhos, ou como detonar uma música em pouco mais de três minutos, espalhando cacos pelo rectângulo. Bateria, guitarra e baixo em vertiginoso ataque juntamente com a voz de Jorge Cruz, lançando pregões atrás de pregões para varrer Portugal de lés-a-lés. Diga-se, em abono da verdade, que esta música tem pujança suficiente para fazer abalar fundações bem mais sólidas do que as deste país a cair de podre à conta de moços de ovelhas que, durante as ultimas décadas, têm dado belos presidentes com queda para presidiários. Convém ouvir várias vezes se quisermos manter o rastilho aceso. 
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2: "Como Calha" - B Fachada
A atmosfera rejubilante dos fluorescentes anos 80, com um batida ultra-dançável revestida por sintetizador vaporoso, como se regressássemos às festas de garagem da adolescência, que nos ajudaram a perder a inocência por entre experiências alcoólicas e contactos no quarto-escuro. Ou como se entrássemos numa discoteca que já não existe, com bolas de espelhos e máquina de fumo, reaberta para uma noite especial antes de ser devolvida aos arquivos da memória. Se tudo isto não bastasse para rejubilarmos com esta viagem, sempre que escutamos "Como Calha" redescobrimos uma das letras mais desconcertantes desta colheita, que inclui "matar a velha das finanças / ou ser verde e amoroso no andanças / a encher as freaks todas de esperanças e lembranças / uma vida de caganças".
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3: "Sábado à Tarde" - Feromona
Uma das belezas da música é adaptar-se a determinadas situações e momentos das nossas vidas. E esta é uma daquelas canções que apetece ouvir em repeat sempre que há energia para fazer tudo aquilo que não tem a ver com trabalho ou obrigações. Sejam actividades lúdicas (vaguear sem rumo aparente, ir para a praia ver miúdas em biquini ou apanhar umas ondas) ou programas que nos motivam especialmente, como discutir bola com os amigos ou sair à noite e beber uns copos. Mas também serve de banda-sonora perfeita para aqueles períodos em que nos apetece simplesmente não fazer nada, gozar o dolce fare niente e aproveitar o sol que brilha lá fora. Seja Julho ou Novembro.
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4: "Too Tough to Die" - Neneh Cherry & the Thing
Da revelação (e disco) pessoal da colheita 2012 há muito mais por onde pegar, claro, mas esta malha condensa bastante do que faz de The Cherry Thing um disco soberbo e que vai ganhando pontos a cada audição: camadas de ritmo, experimentalismo e raiva. Free jazz e punk destilados em doses generosas pelos instrumentos deste trio nórdico (destaque para o saxofone lancinante de Mats Gustafsson) e uma voz que tem tanto de melíflua como de ácida, doses repartidas de fragilidade e empowerment - como se vítima e carrasco estivessem personalizados no espírito de Neneh Cherry, resgatada de longo exílio musical para um conjunto de prestações surpreendentes e que ficam registadas para memória futura.
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5: "C" - Black Bombaim
Se o terceiro trabalho destes rapazes é Titânico, a faixa para aqui trazida não é menos do que Colossal. Começando no feedback e no riff introdutórios, que preparam o terreno para a chegada do saxofone. Que quando entra em cena é maior do que a vida, seja tocado em estúdio por Steve Mackay ou em cima do palco por Pedro Sousa. Espécie de mescalina sonora que se insinua pelos sentidos e expande a consciência com os toques xamânicos cozinhados pela guitarra de Isaiah Mitchell. Tudo cimentado pelo poder unificador/destrutivo do trio barcelense, que altera cadências emocionais e acelera numa estrada sem fim à vista. Dezasseis minutos de transe garantidos, ou pede-me o teu dinheiro de volta. 
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6: "Under the Spell of the Handout" - Cody ChesnuTT
A estética lo-fi e toda a vida de malandragem do maravilhoso The Headphone Masterpiece já não moram aqui. Se, por um lado, este Homem descobriu Deus e agora dá catequese a crianças, não se sentindo confortável a cantar músicas como "Bitch, I'm Broke", por outro optou pela sofisticação para construir as suas composições, por vezes orquestrais, onde se encontram pérolas como esta, que mantém o groove como uma das matrizes de Cody Chesnutt. Desde o piano da abertura à voz plena de soul, passando pela guitarra e os metais, tudo nos faz estalar os dedos e colocar os olhos no Céu, mesmo que aqui se fale de fome e falta de esperança na democracia.
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7: "Dom Docas" - Pega Monstro
Bem sei que poderia ter optado pela maior complexidade e lirismo de "Akon" ou "Suggah", temas que funcionam (e muito bem) como espécie de contraponto neste álbum homónimo e abrem portas sonoras para o futuro musical das manas Reis; mas a meu ver o ADN de Pega Monstro está mais presente aqui. São 2:16 minutos de pura energia rock descarnada e sem adornos supérfluos (guitarra e bateria ao despique, pois claro), com o discurso directo e desassombrado de quem não tem problemas em repetir no refrão que "há gajas que gostam de levar na boca". Já estas preferem fazer malhas que partem os dentes de leite a muitos meninos.
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8: "Le Rêve" - Bro-X
Agora que meio Portugal (como o Jean-Pierre do sonho dourado em formato de canção) volta a encontrar na emigração uma luz que brilha ao fundo deste túnel profundo - chamemos-lhe instinto de sobrevivência ou oportunidade, conforme sejamos realistas ou simplesmente enormes filhosdaputa -, talvez seja útil voltarmos a desenferrujar a mistura da língua materna com outros idiomas, seja o portunhol, o inglês de praia ou este franciú de quem regressa em Agosto de vacances à província. Como sempre fomos desenrascados, havemos de conseguir qualquer coisa para nos safarmos além-fronteiras, nem que seja a improvisar como nesta fábula versão manos do Xangai: "O que é que queres fazer? Eu faço quelque chose."
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9: "Avejão" - Gaiteiros de Lisboa
Esta espécie de metáfora musicada a toque marcial conta com a valiosa participação de Sérgio Godinho, que dá ainda mais força a uma das melhores letras da estação. Este “Avejão” dos Gaiteiros faz crítica social e intervenção satirizando, o que não está ao alcance de todos. E o que se satiriza, então, aqui? Uma terra de patos (bravos, claro está) que mais parece um vespeiro, na qual «andam todos à bicada / para chegar ao poleiro»». Um retrato tão realista que faz rir e dói ao mesmo tempo, como se estivéssemos a ler passagens dos «Maias» e déssemos por nós a reflectir que isto não mudou grande coisa. O resto são coros e sopros a lembrar uma enorme gaiola cheia de pássaros esgrouviados. 
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10: "Here Before" - DJ Ride
O grande das Caldas regressa dos títulos mundiais de scratch (se em 2011 ele e o colega Beatbomber Stereossauro trouxeram o primeiro lugar para Portugal, este ano acabaram de conquistar a prata) com um disco menos arrojado em termos electrónicos do que o antecessor Psychedelic Sound Waves, mais próximo de registos que tinham o hip hop e o jazz como pontos de partidas referenciais. Nesta música faz uma síntese de luxo entre esses dois universos, batidas e efeitos em harmonia com a participação de Sarah Linhares, que nos transporta para um espaço e um tempo que misturam sonho e dança. p.s. - menção especial para outro malhão deste ano que conta com o talento de Ride no scratch: “Erasmus Girls”, de DJ Renato Alexandre.
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Link para as escolhas integrais da redacção Bodyspace.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Record Store Day - Artigo Colectivo

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Apesar de estar ali um store enfiado no meio, aquilo em que pensamos quando o dia se aproxima é nos discos em si: novos lançamentos, edições especiais, reedições históricas, concertos de homenagem aqui e ali. Sobre a parte mais importante – as lojas – pouco se diz para além das promoções. Este ano quisemos contrariar essa tendência; daí que tenhamos ido falar não só com as lojas de discos mas também com as próprias editoras, que são, obviamente, parte interessada nesta matéria. O que se segue são conversas que tivemos com os responsáveis do lado menos visível na música. Lojas de discos espalhadas por esse Portugal fora onde encontramos a maior parte das nossas pérolas em formato físico, e editoras recentes cuja vontade de mostrar ao mundo sons de qualidade é superior a qualquer crise que se interponha. Que possam estar cá todos a celebrar este mesmo dia no próximo ano.
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Nascida em 2010, só foi lançada oficialmente no ano passado. Tempo mais do que suficiente para esta editora portuguesa começar a ganhar o seu espaço, pelo catálogo (que inclui as estreias a solo de Diego Armés e David Pires ou lançamentos de bandas como Capitão Fausto e TV Rural), pela filosofia de gestão muito própria e pelo cuidado que imprime nas edições e nos objectos de merchandise que comercializa. Fomos conversar com Vanda Noronha, que é – entre outras coisas – a responsável por toda a parte visual da Chifre e a identidade secreta da Amiga Chifre, que podem encontrar pelo Facebook. 
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A Vinil Experience (propriedade do Jota Cunha, um dos melómanos mais genuínos e entusiastas que conheço) localiza-se em Lisboa, no nº 61 da Rua do Loreto, entre o Largo Camões e a Bica. Esta loja é quase uma extensão das paixões do seu dono, apresentando uma generosa oferta de garage rock e psicadelismo, entre diversos outros géneros musicais, representados por vinil – novo e em segunda mão –, cd e memorabilia variada. É daqueles sítios mágicos onde é possível encontrarmos raridades e pérolas discográficas, se tivermos disponibilidade para vasculhar as duas salas onde se ouve e respira música.
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Link para a totalidade do artigo colectivo, publicado originalmente no Bodyspace.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mais festas para dizer adeus a 2011

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Festas de passagem de ano (aka reveillons) há muitas; e como não é possível dar conta de todas, deixam-se aqui mais duas sugestões lisboetas, entre o atrevidote e o bollywoodesco. Quem for ao Clube Ferroviário, em Santa Apolónia, pode entrar a bordo do Bollywood Express – conduzido pelos DJs Jigar e Mayush –, que vai servir um repasto indiano e filmes dessa Meca da Sétima Arte que dá pelo nome de Bollywood. As entradas variam entre os 15 euros (que dão direito a uma bebida) e os 75 – garrafa de champanhe e bar aberto –, com valores intermédios para quem quiser uma garrafa de espumante nacional (25 €) ou de champanhe (40 €) para celebrar a entrada em 2012 enquanto é tempo.
Já o Santiago Alquimista, ao Castelo, junta os Irmãos Catita aos Ena Pá 2000 para um Reveillon Atrevidote, noite de bailarico que terá Eugénio Royale como mestre-de-cerimónias e pela qual passarão Miss Suzie, as coristas Cindy Laroca e Vicky Marota, o MD (Mete-Discos) Gimba e Phill Mendrix. Além de garantirem o sorteio de kits marotos, prometem que este vai ser o derradeiro reveillon antes da queda no abismo, por isso é melhor aproveitar a oportunidade para contar os cêntimos (entradas a 25 € para quem entrar entre as 22 horas e a 1:30 da noite; 25 € para quem só aparecer depois desta hora) e queimar os últimos cartuchos.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Do Minho a Nova Iorque – a vida de António Variações no grande ecrã

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Parece que é desta que o filme sobre o genial músico português está em vias de avançar, após a respectiva produção ter sido interrompida devido a divergências (que conduziram a um litígio judicial) entre o realizador Rui Maia e a produtora Utopia Filmes. Segundo a Time Out Lisboa, já foi escolhido o protagonista: Sérgio Praia encarnará António Joaquim Rodrigues Ribeiro – nome de baptismo de Variações, cujas canções também interpretará –, num percurso que teve tanto de curto como de brilhante. O filme começará com uma viagem do cantor de “Estou Além” a Nova Iorque, onde terá sido contraído o vírus da SIDA (e em consequência do qual viria a falecer em 1984), para depois revisitar a sua infância na vila de Amares, perto de Braga, e terminar com o mesmo já em estado debilitado mas ainda a «cantar canções para o gravador».
Tendo obtido uma sentença favorável na acção judicial proposta contra a Utopia Filmes, Rui Maia procura agora financiamento para filmar a história de Variações – «musical realista»» e «biografia ficcionada» –, pretendendo iniciar a sua produção já em 2012.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.