domingo, 11 de setembro de 2011

Amy Winehouse (1983–2011) Crónica de Uma Vida Cancelada

Não posso dizer que tenha ficado muito surpreendido quando, no passado Sábado, recebi uma mensagem a dizer que Amy Winehouse falecera. E boa parte das pessoas também não deve ter reagido com grande espanto à morte da cantora britânica. Consta mesmo que o seu pai, Mitchell, já redigira o discurso para o funeral há cerca de quatro anos.
Digressões canceladas (incluindo a que a traria ao Festival Sudoeste, no início do próximo mês), consequência de adições não resolvidas, e sem lançar nenhum álbum há quase cinco anos, a vida de Amy tornara-se um folhetim para encher revistas de mexericos. Desacatos conjugais e algumas detenções, entre várias tentativas de cura e recaídas, intercaladas por concertos intermitentes, muitos deles espectáculos tragicómicos, em que aparecia de voz e figura consumidas, como que um fantasma da imagem e voz que a deram a conhecer ao público. A decadência vinha-se acentuando com as luzes da ribalta, focos talvez demasiado fortes para alguém que soube fazer das fraquezas forças no álbum-catarse Back to Black (o maior legado que deixa), mas que nunca conseguiu lidar com a pressão da fama nem ultrapassar os vícios que a viriam a destruir – embora tenha passado por várias clínicas da especialidade, a letra de “Rehab” («i said no, no, no») falou sempre mais alto.
A indústria musical e os media, sempre sedentos de construir mitos, têm apontado ao exclusivo clube de Hendrix, Morrison, Joplin ou Cobain. É bem sabido que a morte prematura ajuda às vendas, mas se Winehouse não foi uma fraude (era autêntica, tinha alma e talento), paradoxalmente a sua figura apenas se tornará mítica por artes mágicas de marketing. É certo que viveu no fio da navalha, como as velhas glórias do rock, mas falta-lhe algo para se juntar à elite: inovação. As suas canções têm méritos, mas a curta discografia não fez avançar a História da Música; antes recuperou para as gerações actuais referências e imaginários de épocas passadas, do soul e jazz à pop dos anos 60.
Ainda assim, e parafraseando Neil Young, «it´s better to burn out than to fade away / Amy is gone but she´s not forgotten». Paz à sua alma.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Horace Andy @ Club Lua

 
Parece que por cada pedra que agora levantas, aparecem concertos ou festas de reggae”, desabafou há pouco tempo um amigo perante a inédita vaga de eventos (substancial parte deles promovidos pela Positive Vibes, que desde 2002 trouxe a Portugal nomes como Israel Vibration, Patrice, Groundation, Toots & the Maytals ou Gentleman) dominados por sonoridades oriundas da pequena ilha caribenha que insiste em espalhar as suas sementes pelo globo musical. Este volume inusitado de root sessions e sound-systems acaba por gerar focos de resistência ao fenómeno, acabando muitas vezes por pagar o justo pelo pecador – afinal, não há fome que não dê em fartura, e os estômagos escanzelados apanham congestões com facilidade.
Cada género musical tem as suas vozes características, e Horace Andy é agraciado por um dos timbres mais singulares da Jamaica, mel enriquecido por texturas de vibrato. Além desse pormenor, este nativo de Kingston integra o lote de trigo dourado que deve ser separado do joio que – verdade seja dita – vem colado à moda que resume o reggae aos chavões ganja, Jah, rasta e Babilónia. Por acaso (?) Horace Andy, no refrão de uma das músicas da noite, lembraria para quem o quisesse ouvir que reggae’s not fashion.
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Link para o artigo integral. Publicado originalmente no Bodyspace.

domingo, 4 de setembro de 2011

Festival Músicas do Mundo

 Foto de Mauro Mota

O Festival Músicas do Mundo, cuja 13ª edição terminou ontem, preserva um carisma especial. Talvez por ser fruto da organização da Câmara Municipal de Sines, que se foca na essência (os sons oriundos dos cinco continentes) e não deixa o evento ser contaminado pelo acessório (enxurradas de marketing e circo mediático), como se verifica com outros congéneres, transformados em mais um pretexto para beber uns copos e conviver com os amigos. Por se tratar de um festival que oferece alguns concertos gratuitos – não só na Avenida Vasco da Gama como também no Castelo –, o FMM atrai tribos urbanas não muito habituais nos festivais de Verão mais famosos (e onerosos), mas entre freaks de rastas e alargadores também é possível tropeçar num senhor de meia-idade e aparência nórdica, que lê tranquilamente o jornal no seu iPad, sentado nas ervas que cobrem o recinto do Castelo, enquanto em redor se pula e dança.
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Link para o artigo integral. Publicado originalmente no Bodyspace

Canções de Verão


Na continuação daquilo que foi feito o ano passado, e para deixar uma montra bem bonita antes de irmos de férias, a equipa do Bodyspace escolheu uma banda sonora possível para o Verão. Reflexo do gosto pessoal de cada um dos meliantes cá da casa, é uma lista à imagem do espírito da silly season, aversa a grandes contextualizações que não o facto de se tratarem, efectivamente, de canções que de algum modo são ressonantes com a chegada dos dias quentes. O Verão é aquilo que se quiser e a diversidade de escolhas é sintomática disso mesmo. Seja isso a praia (que é afinal um estado mental), o one night stand, as noites bem longas, os mergulhos alcoólicos ou aquele passeio singelo que se torna num pesadelo por causa das multidões de gente suada, está aqui todo um manancial de opções para salvar ou acabar com o Verão. Bruno Silva
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Artigo colectivo publicado no Bodyspace, mais precisamente aqui.