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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dead Combo - Lisboa Mulata


MulatiCidade

Quantas cidades cabem em Lisboa? Quantos aromas e formas, sabores, tons de pele e sons, carpidos e escutados? Possivelmente tantas quantas as viagens trágico-heróicas que ajudaram a construir e desfazer um Império, de que somos causa e efeito. Uma teia de gestos e cinzas que, à bruta ou por amor, misturou gentes e culturas, criando algo que hoje em dia está muito em voga classificar como “lusofonia” aka conjunto de identidades culturais existentes nos países onde se fala a língua portuguesa e em diversas comunidades espalhadas pelo mundo. Sim, é bom lembrar - mais a mais numa época em que se discutem eurobonds e os "trabalhadores povos do Norte" encostam os "mandriões do Sul" à parede - que podemos ter raízes europeias, mas a nossa identidade e maior riqueza se encontram espalhadas (e espelhadas) por África, Brasil e outras paragens...
E se Lisboa Mulata não se deixa confinar pelas balizas lusófonas (continuam a avistar-se cowboys; em “Ouvi o Texto Muito ao Longe” Camané parece sussurrar as palavras escritas por Sérgio Godinho na vastidão de uma qualquer pradaria norte-americana), nunca essa miscigenação que desembocou no melting pot contemporâneo terá estado tão presente na música de Dead Combo. A faixa-título abre o disco em passo estugado, que nos faz percorrer diversas latitudes culturais da capital; balanço renovado na esquina em que se descansa a beber umas cervejas frescas na companhia de uma gulosa cachupa, antes de voltar a incendiar os sentidos ao sabor de uma morna. A “portugalidade”, tão cara em tempos de crise, também continua vincada, no jeito subversivo (e genial) de descambar com uma marchinha de Santo António (no que contam com a colaboração do enorme Marc Ribot, cuja inspiração haviam já homenageado em Vol. 1) ou no quase fado encantatório de “Esse Olhar Que Era Só Teu”.
Com os pés assentes no rectângulo, onde bebem referências íntimas e exóticas, mas de olhos e espírito além-fronteiras, Tó Trips e Pedro Gonçalves continuam a construir um universo particular (único, genuíno) que pode ser apreciado com os cinco sentidos - e noutros tantos continentes.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

Entrevista: Dead Combo



Uma cidade com janelas abertas para o Mundo

A Lisboa Mulata saiu à rua há pouco tempo, para arrasar na sua primeira festa, e faz-nos bailar neste estio prolongado de Outubro, em que a tardes abrasadoras se sucedem noites amenas. Traz-nos aromas de África e ritmos do Brasil, além dos ambientes de outras paragens que fazem do duo formado por Pedro Gonçalves e Tó Trips um projecto com uma vocação cada vez mais universal. O “gangster” Pedro Gonçalves fala-nos do caldeirão cultural que se pode ouvir (e sentir pulsar) nesta cidade mestiça, por onde passam pessoas e influências de todos os continentes. E como os Dead Combo gostam de subverter a música e os músicos, oferecem-nos a oportunidade de escutar Camané no papel de diseur ou Marc Ribot (uma referência essencial para estes dois portugueses) tocar – e des(cons)truir – uma marcha popular imaginária. 
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Link para a entrevista integral, publicada originalmente no Bodyspace.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Ao Vivo: Mazgani / Dead Combo @ Sintra Misty

© Mauro Mota
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O característico som de um amolador anuncia a chegada dos Dead Combo. E logo que a Mulata entra em palco começa a acelerar nas cordas das guitarras, percorrendo as ruas de Lisboa de forma gingona – só é pena as cadeiras do Olga Cadaval não serem muito propícias à dança… “Cachupa Man” também tem um travo mestiço, e volta a demonstrar como Pedro Gonçalves e Tó Trips articulam na perfeição som e imagem. O jeito imperturbável do gangster e o carácter mais soturno do cangalheiro, subvertendo géneros musicais e criando narrativas sem legendas, numa tridimensionalidade cinemática que dispensa a utilização de óculos especiais. Após “Anadamastor”, com direito a dedicatória especial, resgatam “Rumbero” ao primeiro álbum, num concerto dominado por composições do recente Lisboa Mulata – a “Aurora em Lisboa” chega-nos desde um hotel com néon invertido; “Esse Olhar Que Era Só Teu” faz-nos fechar os olhos para melhor apreciar esta belíssima aproximação ao fado; e “Blues da Tanga” solta um lamento furioso –, mas que permite incursões ao passado (de “Putos a Roubar Maçãs” ou “Sopa de Cavalo Cansado”, que mostra dois puros-sangue bem enérgicos nos ritmos produzidos) e a versão para “Temptation”, de Tom Waits, que puxa pelo fôlego de Pedro Gonçalves.
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Link para o artigo integral, publicado originalmente no Bodyspace.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Combo Mulato

O quarto álbum de originais dos Dead Combo (a banda de Tó Trips e Pedro Gonçalves merece toda a atenção que lhe é dada e mais alguma) já tem título e data de lançamento anunciados: Lisboa Mulata chega às lojas no próximo dia 26 de Setembro e conta com participações ilustres. Aos portugueses Camané, Sérgio Godinho e Alexandre Frazão – que, só por si, garantem uma variedade de inputs criativos – junta-se Marc Ribot. Juramos que não tínhamos conhecimento desta colaboração quando, em Abril, a propósito da actuação no Cinema São Jorge do guitarrista americano que já integrou os míticos Lounge Lizards, escrevemos que «Ribot não ficaria nada mal alinhado com os lusitanian playboys Dead Combo».
Há título e data de lançamento – e também há teaser, que nos dirige o olhar para o que será a sonoridade do álbum, inspirado por uma «Lisboa Mulata de sangue quente» que «Ginga na guitarra e no destino que Deus lhe deu…».

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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.