quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Entrevista: You Can´t Win, Charlie Brown


Uma banda desenhada com seis elementos e muitas cores

A banda que foi buscar o nome a um livro dos Peanuts (que a Charlie Brown juntava personagens tão carismáticas como Snoopy ou Linus) esteve recentemente a tocar na cidade de Londres, em três datas que se seguiram à apresentação do álbum Chromatic na discoteca Lux, em Lisboa. Com esta desculpa na algibeira, fomos falar com Afonso Cabral e David Santos (que a solo responde pelo nome de Noiserv) sobre as ideias e o percurso ainda curto – mas que se preconiza brilhante após um EP e um álbum de estreia que arrancaram fortes elogios dentro e fora de portas – de uma das bandas portuguesas que importa seguir com bastante atenção. E ainda ficámos a saber, entre outras revelações, que Afonso Cabral nunca ouviu um disco de Fleet Foxes, banda à qual os You Can´t Win, Charlie Brown já foram comparados.
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Link para a entrevista integral.
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Artigo publicado originalmente no Bodyspace.

13 & God - Own Your Ghost


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Obra singular e maior do que a soma das partes.

Para enquadrar a heterogeneidade musical presente num álbum onde parecem coabitar vários discos torna-se necessário (re)lembrar que este projecto – que resgata o seu nome ao conceito dos doze apóstolos mais Jesus Cristo, um grupo de 13 membros que forma uma relação simbiótica com Deus – resulta de uma parceria entre membros dos norte-americanos Themselves (que fazem hip hop underground) e dos alemães The Notwist, que se movem nos territórios do electro-pop experimental.
Se tal não servir para ultrapassar alguma da estranheza que advém da improvável conjugação de elementos – exemplo: o registo melodioso de Markus Archer com a voz nasalada (por vezes mais parece insuflada a hélio) de Adam “Doseone” Drucker – ajudará, pelo menos, a compreender melhor este conjunto de músicas que em certas ocasiões começam de uma forma quase linear para irem ganhando camadas de elementos e complexidade. Um dos casos mais flagrantes desta dicotomia será “Armored Scarves”, que começa nas calmas mas vai crescendo, crescendo, com Archer a insistir que «These are troubled times and so / So you dip your scarves in iron» e a percussão a marcar um ritmo de marcha militar, antes de “Doseone” entrar em cena e disparar num flow que se cruza com outras vozes. “Beat On Us” também se introduz na linha daquela para depois cruzar folk e electrónica. Embora predominem sonoridades densas – na linha de “Unyoung”, construída sobre um forte beat e vozes sobrepostas em camadas sonoras hipnóticas, ou o quase trip hop de “Et Tu” – há lugar para temas com uma estrutura mais leve, como a soalheira “Old Age”, a puxar para a pista de dança, ou a atmosférica “Death Minor”, que remete para o lado mais etéreo dos Air.
Quem sofrer de paranóia com rótulos vai sentir-se perdido num labirinto de referências e sonoridades que podem parecer inconciliáveis; mas quem tiver abertura suficiente para montar as peças nos ouvidos e no espírito vai apreciar este puzzle, que se pode montar, baralhar e voltar a juntar audição após audição, processo ao longo do qual a riqueza suplanta a desconfiança e o pendor existencialista das letras se vai tornando mais e mais perceptível.

Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

Jamaica. As comemorações dos 40 anos seguem dentro de momentos


A mítica discoteca da capital tem vindo a comemorar durante 2011 os seus 40 anos de vida com uma vasta programação. Infelizmente, o edifício onde funcionam as suas instalações – na Rua Nova do Carvalho, ao Cais do Sodré – foi forçado a um encerramento (para a realização de obras urgentes e inadiáveis) durante quatro meses. Mas, como não há mal que dure sempre, o Jamaica reabriu as suas portas aos melómanos e boémios no passado dia 20 de Setembro; e a programação segue, durante os próximos dois meses, com DJs convidados e festas temáticas. A primeira festa é já amanhã, dia 6, e conta com um peso pesado: o DJ convidado é Rodrigo Leão, que se prepara para lançar álbum novo. O co-fundador dos Sétima Legião e dos Madredeus tem uma carreira a solo com quase 20 anos, recheada de álbuns essenciais da música portuguesa contemporânea; e, além disto, é o actual proprietário de ouro ícone da noite lisboeta – o Frágil, no Bairro Alto, que abriu as portas ao Jamaica durante o seu encerramento temporário. Astros (re)alinhados e dados lançados.
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Um vídeo que provoca insónias

Já tínhamos partilhado o áudio de “(We Stay) Up All Night”, malha explosiva que será lançada como single no dia 17 deste mês; e agora divulgamos o mais recente vídeo avançado pelos Buraka Som Sistema para o fervilhante Komba, álbum que de acordo com o site da Enchufada vai ser editado no próximo dia 31, na noite de Halloween. O vídeo contém imagens capazes de tirar o sono a espíritos mais sensíveis e uma dedicatória especial ao malogrado DJ Mehdi.

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sábado, 1 de outubro de 2011

dEUS - Keep You Close

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Música com d Maiúsculo.

Cada álbum de dEUS é uma oportunidade renovada para apreciar o raro sentido poético – e estético – de Tom Barman. Na introdução da faixa-título, com que arranca o álbum, orquestrações antecedem a sua voz, que cantará o jogo de espelhos que são as relações amorosas, temática recuperada em “The End of Romance”. Pressente-se um isqueiro a acender entre os acordes da guitarra e a bateria suave, que servem de leito ao registo spoken word. Enquanto o belga sussurra a promessa dum mundo seguro, o piano vai deixando pingar notas, soltas como as pontas de um romance que finda. Mas nada disto é real ou pacífico. Há nostalgia e amargura no ar.
No sexto longa-duração de dEUS cabem, também, composições mais directas e eléctricas, como “The Final Blast” – carregada de ritmo(s), na cadência da voz e da bateria – ou “Dark Sets In”, em que se manifesta a costela mais rock da banda, pairando um certo negrume, com sintonia entre a música e as palavras. Tal como sucede na dionisíaca “Ghosts”, em que o teclado orelhudo (que se desvanece por momentos, para dar destaque ao vocalista) acompanha uma perseguição existencialista 
Do conjunto de nove faixas, o que sobressai, novamente, é a belíssima estrutura das canções. Pode ter sido a primeira vez que, com a actual formação, o processo de composição foi desenvolvido em conjunto, mas o toque de Barman continua bem vincado em temas como “Second Nature”, que se desenvolve entre prazer, vícios, coros e uma crescente intensidade sonora e emocional. Elementos transversais a Keep You Close.
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20 anos sem Miles

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É difícil expressar em palavras a gratidão sentida por tudo o que um músico que apreciamos nos dá. Mais ainda quando se trata de alguém com a envergadura de Miles Davis, um dos génios que ficarão para sempre na História da Música do Século XX. Nascido em meados dos anos 20, esteve sempre Miles Ahead – ou, como quem diz, na vanguarda dos movimentos jazzísticos (e não só). Morreu no dia 28 de Setembro de 1991 e deixou-nos um legado arrepiante, do qual faz parte Kind of Blue, uma das criações musicais que mais se aproximam da perfeição. “So What” é a faixa de abertura dessa obra-prima.
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O misticismo do festival de Sintra

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Sintra é considerada a capital do romantismo. E entre os dias 13 e 23 de Outubro será, também, a capital da música e das palavras. Na sua segunda edição, o Sintra Misty oferece uma programação rica, no que toca a concertos e à sétima arte.
Em termos de música ao vivo, entre projectos nacionais e estrangeiros, com estreias e regressos a Portugal, alguns destaques vão para as actuações de Suart Staples (o vocalista de Tindersticks abre o festival no dia 13), Mazgani + Dead Combo (dia 15), John Grant + King Kreosote & Jon Hopkins (dia 20), Howe Gelb + Sean Riley & The Slow Riders (dia 21), o sueco Jay Jay Johanson + We Trust (na noite seguinte), ficando o encerramento, no dia 23, a cargo de Guta Naki e do one man band Legendary Tiger Man. Já no cinema, as Misty Sessions propõem-se fazer a ponte entre o cinema e a arte de escrever canções, com uma mostra que inclui ficção (I´m Still Here, de Casey Affleck; 9 Songs, de Michael Winterbottom; e De Tanto Bater o Meu Coração Parou, de Jacques Audiard) e não ficção – New Blood, o filme-concerto de Peter Gabriel; e ainda os documentários Dream of Life e Joy Division, sobre Patti Smith e a banda de Ian Curtis, respectivamente.
Podendo, é ir, aproveitando para provar os melhores travesseiros do mundo. Antes, convém consultar tudo (calendário completo, etc. e tal) no site oficial do Sintra Misty, que decorre nos diversos espaços do Centro Cultural Olga Cadaval.
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