Mostrar mensagens com a etiqueta Chromatic. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Chromatic. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

You Can´t Win, Charlie Brown - Chromatic

.
Charlie can´t lose

Como se atravessássemos um bosque, somos invadidos por cheiros e tonalidades, o vento bate-nos na face e galhos estalam à nossa passagem. Tal como a Natureza se apresenta em constante mutação, com plantas a nascer, folhas a cair, dias que aumentam ou diminuem, estas músicas ora anunciam a chegada da Primavera, ora carregam prenúncios outonais. Chromatic é um título que assenta como uma luva a esta estreia: estamos perante uma paleta de cores, cheiros e texturas. Uma pop/folk complexa nos ingredientes utilizados mas que resulta em canções que comunicam facilmente aos ouvidos e às emoções. A criatividade e o apurado sentido estético que por aqui andam de mãos dadas não se perdem em exercícios de show off nem em demonstrações de virtuosismo pueril – estão ao serviço das canções, como deve ser.
Cruzam-se elementos orgânicos (guitarra acústica e outras cordas, palmas) com electrónica, como noutros projectos contemporâneos – já ouviram de certeza as comparações, mais ou menos certeiras, com Fleet Foxes ou Grizzly Bear, por exemplo –, mostrando mais uma vez como as barreiras entre o digital e o analógico fazem cada vez menos sentido, sendo ambos meios ao serviço das canções e não um fim em sim mesmo. Mas este projecto tem uma identidade própria, apesar das referências que, como é natural, se podem ir buscar, aqui e ali.
Nota-se também uma assinalável coesão. Tal como numa equipa, o valor do colectivo sobrepõe-se à soma das partes ou dos talentos individuais. Não é que lhe faltem canções memoráveis. “Green Grass #1” é belíssima, todos os elementos trabalhados de forma cuidada sobre o tapete sonoro; e “I´ve Been Lost” (fusão perfeita entre as palmas, a voz e a bateria nervosa) ou “An Ending” são outros grandes momentos. Mas o disco encarado como um todo sobrepõe-se às faixas isoladas, o que só o valoriza. Uma estreia destas não são peanuts. Estamos na presença duma vitória em toda a linha para os amigos do Charlie Brown.
.
Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Entrevista: You Can´t Win, Charlie Brown


Uma banda desenhada com seis elementos e muitas cores

A banda que foi buscar o nome a um livro dos Peanuts (que a Charlie Brown juntava personagens tão carismáticas como Snoopy ou Linus) esteve recentemente a tocar na cidade de Londres, em três datas que se seguiram à apresentação do álbum Chromatic na discoteca Lux, em Lisboa. Com esta desculpa na algibeira, fomos falar com Afonso Cabral e David Santos (que a solo responde pelo nome de Noiserv) sobre as ideias e o percurso ainda curto – mas que se preconiza brilhante após um EP e um álbum de estreia que arrancaram fortes elogios dentro e fora de portas – de uma das bandas portuguesas que importa seguir com bastante atenção. E ainda ficámos a saber, entre outras revelações, que Afonso Cabral nunca ouviu um disco de Fleet Foxes, banda à qual os You Can´t Win, Charlie Brown já foram comparados.
.
Link para a entrevista integral.
.
Artigo publicado originalmente no Bodyspace.