sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Dez anos para Supernada

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A banda formada em 2002 e encabeçada por Manel Cruz (acompanhado pelo guitarrista Ruca Lacerda, o teclista Eurico Amorim, o baixista Miguel Ramos e o baterista Francisco Fonseca) vai lançar o seu primeiro álbum em Março. O processo de gravação de Nada é Possível teve início em 2006, numa pequena casa de campo em Vale de Cambra, passando desde aí por outros estúdios. Novas canções foram aparecendo, entre concertos, e as já compostas foram-se transfigurando, revelando o gosto pela constante experimentação. Quando acharam que o material estava consolidado, os Supernada convidaram Nuno Mendes para misturar as canções que tinham sobrevivido a todo o processo, chegando assim ao formato definitivo do disco de estreia, que antes de chegar às lojas poderá ser ouvido ao vivo num dos palcos do Vodafone Mexefest Porto, que decorre entre os dias 2 e 3 de Março. Nova estreia, “Nova Estrela.”
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

A 10ª edição do Sons de Vez decorre entre Fevereiro e Março em Arcos de Valdevez

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Rima e, neste caso, é verdade. O Auditório da Casa das Artes de Arcos de Valdevez prepara-se para receber mais uma ecléctica Mostra de Música Moderna Portuguesa: The Gift, JP Simões, Frankie Chavez, Osso Vaidoso, A Naifa, PAUS, Kussondulola e B Fachada são alguns dos nomes que, entre 3 de Fevereiro e 24 de Março, vão espalhar música pela localidade minhota.
Para comemorar o 10º aniversário deste festival, será editada também uma compilação com temas de artistas que já passaram pelo Sons de Vez (como Gaiteiros de Lisboa, Mão Morta, Linda Martini, Foge Foge Bandido, Dead Combo, Pop Dell´ Arte…) ou que marcarão presença nesta décima edição.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Trilogia da Vida Fácil: o primeiro tomo é servido já no dia 28

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No próximo dia 28 de Janeiro as Largo Residências começam a apresentar a Trilogia da Vida Fácil na Taberna das Almas, Anjos. A festa será encabeçada pelos PAUS, que partilharão a noite com outros músicos – Filho da Mãe, o projecto Montanhas Azuis (de Norberto Lobo e Mário Franco), Joana Sá & Eduardo Raon – e artistas que os inspiram: Jemima Stehli, Gwendolyn Van Der Velden, Eduardo Leitão e Dunya Rodrigues. Os PAUS, que foram convidados para programar este primeiro tomo da trilogia, prometem um concerto «daqueles no chão, sem palco, com o people que é people todo à volta». Em Janeiro faz um frio de rachar, há que aquecer as almas na taberna.
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domingo, 15 de janeiro de 2012

Andanças em Mudança(s)

A PédeXumbo – associação que trabalha a promoção da música, instrumentos e danças de raiz tradicional, com especial destaque para o património português –, anunciou que o Andanças vai ser objecto de transformações já a partir deste ano. A partir de 2013, este festival irá mudar de coordenadas, para um espaço que permita um crescimento sustentado (já impossível em São Pedro do Sul, a sua casa durante várias edições) e no qual serão realizadas actividades durante todo o ano e não apenas em Agosto. Este ano, que será de transição, o Andanças está marcado para o dia 4 de Agosto, em Celorico da Beira – decorrendo, assim, na sequência do Festival Danças na Água, que começa no dia 1 e termina a 3 de Agosto – , e sob um formato diferente: 24 horas non stop (em vez dos habituais sete dias) dum festival de música e dança que leva já dezasseis edições.
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A caneca que já é um símbolo do Andanças: custa 1 €, valor devolvido se o participante a entregar no final.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Youssou N´Dour é candidato à Presidência do Senegal

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Não é a primeira vez que um músico se aproxima da órbita do poder – lembre-se, por exemplo, o caso recente de Gilberto Gil, que chegou a ser Ministro da Cultura brasileiro durante o Governo do Presidente Lula da Silva –, nem será decerto a última. Mas como a arte e a autoridade não costumam ser as melhores amigas, os cantores que se tornam políticos são relativamente escassos, o que torna cada caso digno de realce, sobretudo pelas motivações que lhe estão subjacentes. E Youssou N´Dour, que ganhou fama internacional através do dueto com Neneh Cherry, em “7 Seconds”, justificou a sua candidatura apresentando-se como um cidadão «preocupado com o futuro do seu país» e mostrando-se muito crítico do despesismo do actual Presidente senegalês. O autor de “New Africa” irá, assim, opor-se a Abdoulaye Wade, de 85 anos e que está na presidência deste país africano desde 2000.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

The Horrible Crowes - Elsie

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A vingança enquanto prato criativo
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O nome deste projecto paralelo do vocalista de Gaslight Anthem foi inspirado pelo poema inglês “Twa Corbies” – em que dois corvos discutem sobre a forma de consumir os restos mortais dum cavaleiro abandonado pela sua amada –, espécie de comentário sombrio sobre a vida, em que ou devoramos ou acabamos por ser devorados. E o álbum gira em redor de três relacionamentos amorosos que destroçaram Brian Fallon, inspirando-o a discorrer sobre a merda que são as relações humanas, especialmente as românticas. Acabam por ser essas memórias, a maior parte delas pouco agradáveis – à excepção da última faixa –, que povoam as músicas com fantasmas de mulheres, como quando canta «I carry each and every ghost of my lovers at once em “Go Tell Everybody”.
Tendo Brian Fallon como protagonista, é quase inevitável entrar em comparações com a banda de Sink Or Swim. Mas aqui a combustão das melodias é mais lenta e fumarenta, para ouvir no silêncio das horas tardias, sem ruído em redor. As raízes punk estão mais escondidas. E também não existem tantos hinos à Boss (é bom recordar que os Gaslight Anthem, oriundos de New Jersey, têm em Bruce Springsteen uma espécie de padrinho espiritual), daqueles que levantam estádios e corações. Se a veia eléctrica e enérgica de Gaslight Anthem pode sair vencedora dum festival ao ar livre, este projecto (entre o contemplativo e o melancólico, quase sempre acústico) pede mais uma sala que crie um ambiente íntimo, com maior proximidade entre a banda (Fallon gravou o álbum com o seu amigo Ian Perkins e músicos convidados) e o público.
Fallon comprova os seus dotes de letrista (em vez de contar histórias, aqui canta dores e desamores), compositor e vocalista, com iguais doses de talento e paixão, expondo as cicatrizes que em Gaslight Anthem estão tatuadas pela energia do rock. Existem algumas malhas intensas (a exemplo de “Behold The Hurricane”, com o coro eléctrico que ecoa por uma casa vazia) e outras que vão ganhando força – como “Mary Ann”, rasgada por berros e guitarras –, mas o tom geral é outro. “Last Rites” lança a toada, com as vozes e o piano envoltos numa cortina de fumo e uma letra que fala de enterrar memórias vivas; com “Sugar” balança-se ao sabor do desengano e “Black Betty & The Moon” esconde uma mensagem terrível sob a inocente melodia.
Reza a história que, no concerto de estreia de Horrible Crowes, Brian Fallon agradeceu às raparigas que lhe partiram o coração, aos respectivos namorados actuais e às mães que criaram essas “mulheres horríveis” por o terem inspirado a escrever estas músicas. A vingança, afinal, também pode ser um prato criativo.
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Publicado originalmente no Bodyspace, mais concretamente aqui.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

The Magnificent Seven

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No fim do ano, a webzine de música em que escrevo (se não conhecem o Bodyspace, passem por lá) organiza uma lista dos melhores álbuns do ano. Estes balanços fazem-nos sempre olhar pelo retrovisor, e se o distanciamento nos traz objetividade também obriga a fazer algum esforço de memória.
Quais foram as melhores ondas que apanharam em 2011, lembram-se? Eu recordo-me. Não exatamente das melhores ondas surfadas, naquele dia exato, mas da sequência de dias que fica no primeiro lugar do pódio. Sete jornadas seguidas: entre os dias 24 e 30 de novembro, precisamente.
Lembro-me bem por várias razões. Dois mil e onze estava a ser o ano em que menos surfei desde que comecei a fazer bodyboard, já lá vão cerca de duas décadas. Uma operação ao joelho, no fim de setembro de 2010 – e as consequentes sessões de fisioterapia e ginásio –, a que se somou uma mudança temporária da Ericeira para Lisboa, deixaram pouco espaço de manobra para ir à água com a regularidade desejada.
Em agosto comecei a recuperar o tempo perdido no País Basco e, quando o verão atrasado se instalou, em setembro e outubro (muito sol e calor, pouco vento e ondulações constantes e alinhadas) apanhei vários dias de boas ondas, por vezes só de calções e licra, coisa rara por estas paragens. O ritmo estava agarrado...
Mas foi no final de novembro que os astros se alinharam para uma semana que vai ficar gravada na memória. A letras douradas. Durante essa semana surfei todos os dias, de manhã, no mesmo sítio, como se estivesse a cumprir um ritual. O swell foi-se mantendo (com algumas variações de tamanho e direção) e o vento nunca atrapalhou a formação das ondas, que entravam certinhas, umas atrás das outras, algumas tubulares, outras mais manobráveis.
Não me lembro de outra semana seguida com um nível de condições assim. Nem sei daqui a quanto tempo (ou se) este fenómeno se vai repetir. Mas sei que vou ficar à espera de algo semelhante – ou melhor! São dias como estes que servem de motivação (e inspiração) para esperar que os astros se voltem a alinhar, alimentando a eterna busca.
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Publicado originalmente na Vert, mais concretamente aqui.